O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou o apoio aos pré-candidatos ao Senado Filipe Barros (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR) no Paraná, nesta quinta-feira (16/04), e chegou a fazer um apelo direcionado à pré-candidata Cristina Graeml (PSD-PR).

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“É muito perigoso termos mais de dois candidatos do mesmo campo político. A partir do momento em que temos dois pré-candidatos definidos, se ela [Graeml] mantiver a candidatura ao Senado, o Paraná pode acabar elegendo um senador de esquerda. Se eu puder fazer um apelo público, que haja esse bom senso”, disse Flávio em entrevista à Jovem Pan.

Recentemente, Graeml se filiou ao PSD após receber um convite do governador Ratinho Junior (PSD-PR) em resposta à filiação do senador Sergio Moro ao PL. O ex-juiz da Lava Jato deixou o União Brasil para ser pré-candidato da sigla ao governo do estado com apoio de Flávio Bolsonaro e do partido Novo, que deixou a base do governo Ratinho Junior.

Procurada pela Gazeta do Povo, Graeml respondeu que a tendência é que eleitor do estado do Paraná escolha dois candidatos de direita. “O PL definiu a chapa e o paranaense tem o direito de escolher os nomes que ele quiser para o Senado. […] Quem acha que candidato de esquerda tem chance é porque não bota fé no próprio taco”, rebateu.

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Ainda de acordo com a pré-candidata, ela manterá o apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, apesar de o PSD ter o nome de ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD-GO) na corrida ao Palácio do Planalto.

Cristina Graeml confirma pré-candidatura ao Senado, mas PSD vê força na capital para vaga de vice

Sem espaço no União Brasil, Graeml recusou o convite do PL para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e foi abrigada pelo PSD. A sigla comandada por Ratinho Junior lançou o ex-secretário estadual de Infraestrutura e Logística Sandro Alex (PSD-PR) como pré-candidato ao governo e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (Republicanos), como pré-candidato ao Senado.

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Ainda resta a definição dos nomes que vão compor a chapa na vaga de candidato a vice-governador e o segundo nome ao Senado. “Eu sou pré-candidata de direita, trago os valores da direita e não vou permitir que ninguém da esquerda avance no tabuleiro e no debate porque não quero que outros de direita entrem [no Senado]”, declarou Graeml.

Em 2026, cada estado vai eleger dois senadores. A leitura de Flávio Bolsonaro é que a divisão dos votos da direita pode favorecer um candidato de esquerda, principalmente em uma disputa acirrada com nomes de peso, como no Paraná. No centro, o MDB já lançou a pré-candidatura do ex-senador Alvaro Dias e a ex-ministra petista Gleisi Hoffmann deixou o governo Lula para disputar uma das cadeiras paranaenses.

Neste cenário, segundo apuração da Gazeta do Povo, o grupo político de Ratinho Junior não descarta a possibilidade de lançar Graeml como candidata a vice-governador na chapa encabeçada por Sandro Alex. A avaliação do núcleo mais próximo de Ratinho Junior é que a jornalista — que perdeu o segundo turno das eleições municipais de 2024, em Curitiba, para o prefeito Eduardo Pimentel (PSD-PR) — teria votos importantes na capital. 

Além da identificação com a direita conservadora, o grupo político ainda acredita que ela atrai o eleitorado feminino. O movimento poderia diminuir a concorrência ao Senado e favorecer o aliado Alexandre Curi, no entanto, o nome preferido para a vaga de vice ainda é do ex-prefeito Rafael Greca, que lançou a pré-candidatura ao governo pelo MDB. 

No interior do estado, a aposta do PSD é que a alta aprovação de Ratinho Junior e a presença da sigla no comando de mais de 300 cidades do estado resultem na transferência de votos do governador para o pré-candidato escolhido por ele.