Pelas contribuições prestadas na área da investigação científica no Brasil, o pesquisador Metry Bacila, 80 anos, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e da Universidade Federal do Paraná, acaba de ser admitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso na classe de comendador na Ordem Nacional do Mérito Científico. Na próxima quinta-feira, às 15h, no Palácio do Planalto, em Brasília, o professor Bacila recebe das mãos de Fernando Henrique as insígnias e o diploma da Ordem.

Para Bacila, o diploma simboliza o reconhecimento da sociedade pelos trabalhos científicos desenvolvidos no País. “Sinto-me honrado pela admissão na Ordem Nacional do Mérito Científico pelo grão-mestre, o excelentíssimo senhor presidente da República. Parte da minha vida dediquei à pesquisa científica. Espero que esse prêmio também sirva de exemplo aos jovens estudantes”, declarou o cientista.

Em 24 de setembro de 2000, sob a coordenação do professor Metry Bacila, os pesquisadores Maria Ivette Carboni Malucelli, Mateus Sugizaki, Lígia Maria Salvo, Pedro Hélio Lucchiari, Rubens Rosa, estes últimos recentemente falecidos, Omar Crillaro, Edson Rodrigues, Vilma Pereira Bastos-Ramos, Neuza Maria Ferraz de Mello Gonçalves, Ana Cristina Miguez Ribeiro e Edith Fanta, e mais um grupo de estudantes, viajaram para a Estação Comandante Ferraz, na Ilha do Rei Jorge, na Antártida, para desenvolver estudos sobre o comportamento bioquímico, fisiológico e bioenergético de mitocôndria isolada de órgãos e tecidos de peixes da região. Atualmente, Omar Crivellaro desenvolve importante projeto de estudo do genoma mitocondrial de peixes antárticos.

A expedição contou com apoio da PUCPR, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/Proantar – Secirm (Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar). A equipe permaneceu no local até 9 de dezembro de 2000. “Os estudos possibilitaram conhecimentos mais precisos sobre aspectos significativos dos mecanismos biológicos de adaptação a temperaturas extremas”, explicou Bacila.

Contribuição

De acordo com o professor, as contribuições científicas interdisciplinares do Programa Antártico Brasileiro são múltiplas. As principais são: elucidar em nível molecular a adaptação de aves antárticas, desenvolver metodologia especializada para estudar o comportamento bioquímico e fisiológico de organismos, mensurar o efeito da temperatura sobre os níveis tissulares de oxigênio de peixes antárticos, conhecer o efeito do oxigênio ambiental e dos níveis de gás carbônico sobre a oxigenação de tecidos e o comportamento dos animais. O projeto permite ainda fazer estudos comparativos da glicose sangüínea em peixes antárticos e em peixes de regiões subtropicais e tropicais, estudar a correlação entre o estado nutricional e a biossíntese de uréia em pingüins, implantar metodologias para o estudo das propriedades bioquímicas e fisiológicas de células e tecidos de peixes antárticos em cultivo. “Vários outros estudos foram também desenvolvidos, como o efeito da tironina no fenômeno da parada cardíaca, influência do cálcio e da ação dual da acetilcolina no estado de contratura da musculatura lisa intestinal, respostas inibitórias cardíacas induzidas por estimulação térmica, ocorrência de bactérias do gênero Aeromonas em áreas artárticas, entre outros”, esclareceu Bacila.