Golpe

Falso advogado: como criminosos do Ceará tiraram R$ 2 milhões de idosa no Paraná

Fotografia em plano médio de policiais civis da Divisão Estadual de Narcóticos (DENARC) da Polícia Civil do Estado do Paraná em ação de campo residencial. Em primeiro plano, no centro e à esquerda, destaca-se a figura de costas de um policial civil de porte físico forte, vestindo jaqueta preta de mangas compridas e colete tático operatório preto no qual se lê o patch sobressalente "DENARC - POLÍCIA CIVIL" em letras brancas. À direita, outro policial civil de pele clara, de perfil, veste camisa polo escura com a inscrição "POLÍCIA CIVIL" no peito e colete tático preto com a sigla "DENARC". No plano intermediário, um terceiro policial civil de cabelo grisalho e óculos de grau, vestindo uniforme escuro e colete de segurança, caminha pelo passeio da rua em direção às casas. Ao fundo, a cena mostra a fachada de residências térreas urbanas com portões brancos e paredes revestidas, ao longo de uma rua sob céu nublado com iluminação natural uniforme do dia.
Criminosos movimentavam valores transferidos pela vítima no mesmo dia. Foto: PCPR.

Um grupo criminoso do Ceará é investigado por aplicar um golpe contra uma idosa do Paraná, causando um prejuízo superior a R$ 2 milhões. Segundo as investigações, os suspeitos se passaram por advogados da vítima para convencê-la a realizar transferências bancárias. O grupo é alvo de uma operação policial nesta quinta-feira (8).

Para enganar a vítima, os criminosos teriam se apresentado como advogados e representantes de instituições públicas e financeiras. A prática, conhecida como “golpe do falso advogado”, utiliza técnicas de engenharia social para conquistar a confiança das vítimas e induzi-las a transferir dinheiro.

“Os autores entraram em contato com a vítima utilizando informações e identidades que transmitam aparência de legitimidade, criando um ambiente de confiança para que ela acreditasse tratar com pessoas legítimas”, explica o delegado Emmanoel David.

No Paraná, a idosa realizou diversas transferências para contas vinculadas aos investigados. Após receberem os valores, os suspeitos iniciavam uma segunda etapa do esquema: a pulverização do dinheiro, com a distribuição dos recursos entre diferentes contas para dificultar o rastreamento.

A análise financeira identificou numerosas operações de valores fracionados, circulação de dinheiro entre os investigados, esvaziamento rápido de contas e concentração posterior dos recursos em determinados destinatários.

Em um dos casos identificados, R$ 30,6 mil transferidos pela vítima para uma das contas investigadas foram enviados integralmente a outro suspeito no mesmo dia. Após a operação, a conta de origem ficou com saldo de apenas R$ 0,01.

Atuação remota

As investigações apontaram que o grupo atuava a partir do Ceará, no Nordeste do Brasil, sem coordenar as operações diretamente do Paraná. Ao todo, foram identificadas 15 pessoas que teriam recebido diretamente valores transferidos pela vítima ou participado da movimentação posterior dos recursos.

Desse total, 11 foram identificadas como beneficiárias primárias, cujas contas receberam diretamente o dinheiro enviado pela idosa. Outros quatro beneficiários secundários também foram localizados. Segundo a investigação, eles recebiam repetidamente valores provenientes das contas do primeiro grupo.

Nesta quinta-feira (8), a Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpre 32 mandados judiciais contra os investigados. A operação tem como objetivo executar 15 mandados de prisão temporária e 17 de busca e apreensão em endereços de Fortaleza, Maracanaú e Eusébio, no Ceará.

A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 2.098.322,06 em contas bancárias e aplicações financeiras relacionadas aos suspeitos.

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