O ex-prefeito de Irati e ex-deputado estadual, o médico ginecologista Felipe Lucas, foi preso nesta quarta-feira (6/5), em Curitiba. Ele é suspeito de abusar sexualmente de uma paciente gestante durante um exame em Teixeira Soares, na região central do Paraná. O médico se tornou réu em abril pelo crime de violação sexual mediante fraude.
A vítima fez a denúncia após outros casos semelhantes ganharem repercussão. A investigação também indica que Felipe Lucas abusou de outras três mulheres em Irati, ocorridos durante atendimentos médicos. Dois desses relatos indicam que a conduta pode ter se repetido por pelo menos 15 anos.
No caso que motivou a prisão, a vítima relatou que o médico a colocou em uma posição que a impedia de reagir, enquanto realizava “massagens íntimas” incompatíveis com o exame. Segundo o depoimento, a situação cessou quando uma enfermeira entrou na sala.
Devido à idade do médico, a prisão preventiva pode ser convertida em domiciliar. Em declaração ao g1, a defesa afirmou que se trata de uma “prisão ilegal, sob alegação completamente falsa e de um fato que se encontra prescrito”, e disse que pretende provar a inocência ao longo do processo.
O pedido de prisão preventiva foi reforçado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) e aguarda análise do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). O Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) também abriu apuração sobre o caso.
Polícia aponta padrão de abusos
Uma mulher de 24 anos, atendida pela rede pública de saúde, registrou a primeira denúncia em fevereiro. Porém, ela procurou a polícia sete dias após o exame ginecológico e afirmou que demorou a denunciar devido ao abalo emocional e à tentativa inicial de lidar com o trauma sozinha.
Além da postura do médico durante o exame, a vítima relatou que, enquanto estava despida na mesa de exames, o médico atendeu a uma ligação pessoal que durou cerca de cinco minutos, aumentando o constrangimento.Ela estava acompanhada do filho de cinco anos. Segundo a polícia, o médico orientou a criança a ficar de costas para não presenciar o procedimento.
Após a primeira denúncia, outras duas mulheres procuraram a polícia em Irati. Uma relatou abuso ocorrido em 2011 e outra em 2016. Para os investigadores, a semelhança entre os relatos de vítimas sem ligação entre si indica um possível padrão de conduta mantido ao longo dos anos sob pretexto da profissão médica.



