A própolis produzida por abelhas sem ferrão, conhecida como própolis azul, apresentou potencial semelhante ao das própolis já utilizadas na fabricação de medicamentos, segundo um estudo inédito realizado no Paraná. A pesquisa, desenvolvida pelo mestrando Vitor Luis Fagundes, apontou que essa própolis possui composição química e propriedades farmacológicas comparáveis às própolis verde e vermelha, produzidas por abelhas com ferrão.

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Os resultados indicam que a própolis azul apresenta atividade biológica semelhante à das variedades, mas com um diferencial importante: ação antibacteriana superior. Essa característica amplia o interesse científico e comercial pelo produto.

“A própolis azul tem características medicinais que podem contribuir com ações antimicrobianas, anti-inflamatórias, antiparasitárias, antivirais e antitumorais. É ainda um importante fortalecedor do sistema imunológico e apresenta atividade antibiótica, com efeitos superiores aos observados em outras própolis”, explica o coordenador Renato Rau.

A próxima etapa do estudo será identificar e caracterizar as moléculas responsáveis por essas propriedades. Em seguida, os pesquisadores poderão estabelecer a assinatura química da própolis azul e avançar para testes farmacológicos. Os resultados contribuem para o desenvolvimento de novos medicamentos passíveis de registro nos órgãos reguladores.

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Além disso, as abelhas que produzem a própolis azul se destacam por serem mais fáceis de manejar. O produto também possui alto valor agregado, o que amplia as possibilidades de geração de renda para produtores rurais envolvidos na atividade.

Abelhas produtoras ficam no Litoral

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizaram o estudo em parceria. Um projeto de meliponicultura desenvolvido em Morretes, no Litoral do estado, cria as abelhas responsáveis pela produção da própolis azul.

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Em parceria com a prefeitura do município, o Tecpar já capacitou mais de 50 agricultores para atuar na cadeia produtiva da própolis azul. Mais de 100 caixas de abelhas já foram distribuídas na região. O objetivo é fortalecer a agricultura familiar, estimular a criação de meliponários e estruturar uma rede produtiva voltada à produção de própolis, colmeias e equipamentos para a atividade.

Segundo o diretor de Novos Negócios e Relações Institucionais do Tecpar, Celso Kloss, a intenção é expandir o projeto para outros municípios do Litoral. “Nosso próximo passo é selecionar famílias da área rural dos sete municípios do Litoral do Paraná para ingressar no projeto com colmeias da abelha mandaçaia”, afirmou.