Governo do Paraná

Estradas, crédito e energia: o que Moro terá que fazer para a indústria e o agro nos próximos anos 

Fotografia em plano médio do político Sergio Moro durante evento público de campanha eleitoral ao ar livre. Em primeiro plano, à direita, destaca-se o ex-juiz e político Sergio Moro, homem de pele clara e cabelos curtos escuros levemente acinzentados nas fontes. Visto em semi-perfil voltado para a esquerda e enquadrado do peito para cima, ele veste camisa social de mangas compridas em tom azul-claro. No peito, sobressai um adesivo circular amarelo de campanha com o nome "MORO" e o número "22" impresso em destaque. À extrema esquerda, observa-se em primeiro plano a mão espalmada de um popular cumprimentando a figura pública. No plano intermediário e ao fundo, desfocados pela reduzida profundidade de campo, leem-se rostos e figuras de apoiadores e integrantes da equipe, alguns vestindo bonés e camisetas escuras com adesivos de campanha. Ao fundo, a iluminação natural diurna filtra-se através da copa de árvores e vegetação verde.
Foto: Victor Coutant.

Eleito governador no primeiro turno das Eleições 2026, Sergio Moro (PL) assumirá o comando do Executivo paranaense em 5 de janeiro de 2027. Pelo perfil das propostas apresentadas durante a campanha, o futuro governador sinaliza a intenção de dar continuidade a projetos implementados nos oito anos de gestão de Ratinho Júnior (PSD).

Na área econômica, o desafio será manter os resultados alcançados, avançar nos indicadores e imprimir uma marca própria à administração estadual. O desempenho da nova gestão poderá ser acompanhado, por exemplo, por meio de indicadores como o Produto Interno Bruto (PIB), a atividade econômica, as exportações e a abertura de empresas.

No momento atual, até o fim de 2026, o PIB do Paraná deve ultrapassar R$ 800 bilhões, acima dos R$ 765 bilhões registrados em 2025, segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). No primeiro semestre deste ano, o estado também registrou crescimento de 3,4% na atividade econômica, de acordo com o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), do Banco Central.

Os resultados refletem a participação de diferentes setores na economia paranaense. No comércio exterior, o estado registrou US$ 14,3 bilhões em exportações nos primeiros seis meses de 2026. O agronegócio é o principal motor desse resultado, com destaque para soja em grão, farelo de soja e carne de frango. A pauta exportadora também inclui produtos da indústria de transformação e do setor automobilístico.

Além das grandes cadeias produtivas, o empreendedorismo contribui para a atividade econômica estadual. Segundo dados da Junta Comercial do Paraná (Jucepar), foram abertas 317.127 empresas nos primeiros nove meses de 2026, um crescimento de 13,6% em relação ao mesmo período de 2025. O tempo médio para obter um CNPJ é de 9 horas, 42 minutos e 11 segundos.

Atualmente, o Paraná conta com mais de 2 milhões de empresas, sendo 1,94 milhão de matrizes e quase 84 mil filiais. O número de negócios, porém, não elimina os desafios enfrentados pelos empreendedores para manter as atividades e alcançar resultados financeiros positivos.

Levantamentos do Sebrae apontam que a concorrência, mencionada por 38,3% dos empreendedores, e a dificuldade de atingir o ponto de equilíbrio financeiro, que afeta cerca de 22% dos negócios, estão entre os principais obstáculos no estado.

Promessas a serem cumpridas

Para impulsionar a economia paranaense, o plano de governo de Moro reúne medidas como a redução de prazos e custos para abrir empresas, a ampliação do acesso ao crédito para pequenos negócios, investimentos em infraestrutura e estradas rurais, o incentivo à instalação de redes de energia trifásica no campo e ações para fortalecer a competitividade de produtores, cooperativas e empresas do estado.

Ao registrar uma candidatura à chefia do Poder Executivo — seja à Presidência da República, ao governo estadual ou à prefeitura —, o candidato deve apresentar um plano de governo à Justiça Eleitoral. O documento reúne compromissos e diretrizes da campanha, mas não tem força de lei após a eleição. Ainda assim, serve de referência para que os eleitores acompanhem e cobrem a execução das propostas.

O plano apresentado está estruturado em um modelo transversal de Governança Regionalizada e dividido em cinco pilares temáticos, que organizam as diretrizes e os projetos. As iniciativas são descritas em três partes: nome do projeto, breve explicação e detalhamento da ação proposta.

Para facilitar a compreensão dos compromissos do futuro governador, a Tribuna do Paraná selecionou as principais propostas relacionadas à indústria, ao comércio e ao agronegócio. A íntegra do plano está disponível na aba “Propostas” da página do candidato no DivulgaCand.

Confira, a seguir, as propostas para cada área:

Agricultura

  • Financiar a expansão das conexões de energia rural à rede trifásica;
  • Implantar uma política permanente de pavimentação, adequação e conservação das estradas rurais;
  • Acelerar a regularização fundiária e ambiental das propriedades, com a conclusão do Cadastro Ambiental Rural (CAR);
  • Ampliar a subvenção aos juros do Banco do Agricultor Paranaense para produtores que cumprirem metas ambientais;
  • Criar o aplicativo Agro na Mão PR para prestar assistência aos produtores;
  • Ampliar a Patrulha Rural Comunitária;
  • Criar um cadastro único e georreferenciado das estradas municipais do Paraná para orientar o planejamento de investimentos;
  • Criar um programa de sucessão familiar;
  • Oferecer linhas de crédito para expandir a infraestrutura hídrica no campo;
  • Criar o Plano Paraná Agro 2040, com metas por cadeia produtiva e região;
  • Modernizar a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar);
  • Criar uma certificação estadual voluntária para reconhecer produtores, cooperativas e agroindústrias que adotem práticas sustentáveis;
  • Criar um fundo rotativo para gerar e comercializar créditos de carbono, com o retorno de parte dos lucros das vendas ao próprio fundo.

Meio ambiente

  • Modernizar, simplificar e agilizar a atuação do Instituto Água e Terra (IAT);
  • Modernizar e digitalizar o licenciamento ambiental, com redução de prazos;
  • Desenvolver projetos de descarbonização, ampliar o mercado de carbono e atrair investimentos verdes;
  • Criar o Programa Estadual de Economia Circular;
  • Expandir o uso de fontes de energia renovável, como solar, biogás, biomassa e hidrogênio verde;
  • Criar um modelo de financiamento híbrido (blended finance), com recursos públicos e privados, para financiar projetos sustentáveis.

Indústria e comércio

  • Apoiar a regularização e a implantação de parques industriais;
  • Reduzir os prazos e custos para a abertura de empresas;
  • Criar uma plataforma para orientar empreendedores e reunir informações sobre licenciamento, incentivos, crédito e acompanhamento de processos;
  • Ampliar o acesso ao crédito para micro e pequenas empresas, além de taxistas e motoristas de aplicativos.

Pesquisa e tecnologia

  • Descentralizar a inovação por meio da criação de ecossistemas regionais conectados às principais vocações econômicas de cada região;
  • Posicionar o Paraná entre os estados líderes do país em inovação;
  • Ampliar os investimentos em pesquisa, tecnologia e empreendedorismo;
  • Criar bolsas para atrair especialistas em inteligência artificial, em parceria com o Estado, empresas, entidades do setor produtivo e universidades;
  • Atrair investimentos em infraestrutura de data centers para o Paraná;
  • Criar o Summit Paraná, evento estadual de inovação e tecnologia com etapas regionais, desafios e hackathons;
  • Criar hubs de inovação em cidades de médio e grande porte.

Internacionalização e investimentos

  • Criar uma plataforma única de promoção de investimentos;
  • Conectar empresas, universidades, câmaras de comércio e consulados para ampliar as missões internacionais e as oportunidades de comércio exterior;
  • Criar uma estratégia de transição para a reforma tributária, com o Fundo Estratégico do Paraná;
  • Tornar o Paraná o estado mais competitivo da América Latina.

Energia e conexão

  • Expandir a infraestrutura energética em todo o estado;
  • Firmar convênios entre a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para ampliar a fiscalização da distribuição de energia no Paraná;
  • Apoiar investimentos no setor por meio de incentivos e mecanismos como o uso de créditos de ICMS em projetos estratégicos;
  • Levar internet de alta velocidade a todas as regiões do estado;
Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google