Comércio

Empresários paranaenses estão menos confiantes, afirma Fecomércio

Imagem mostra um casal olhando a vitrine de uma loja com promoções. A placa em detaque diz: Sandálias por R$ 79,90. O casal está de costas, a mulher com uma blusa vermelha, uma bolsa preta e cabelo preso. O homem tem cabelos brancos, usa uma camisa branca com listras pretas e calça jeans. Ele está de braços cruzados olhando os preços desconfiado.
Pesquisa aponta queda na confiança dos comerciantes do Paraná, enquanto a intenção de consumo das famílias voltou a crescer em junho. Foto: Arquivo/Aniele Nascimento/Tribuna do Paraná.

Os comerciantes paranaenses encerraram o primeiro semestre de 2026 com a confiança em queda. É o que aponta um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), juntamente com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O coordenador de desenvolvimento econômico da Fecomércio, Rodrigo Schmidt, explica que o cenário é uma soma de expectativas, com condições atuais e toda a conjuntura política e econômica. Já, segundo o assessor econômico da Fecomércio, Lucas Dezordi, a queda ainda foi modesta, mas há um movimento de preocupação dos comerciantes paranaenses, principalmente em relação ao segundo semestre.

Dezordi explica que o maior receio está relacionado com fatores macroeconômicos, como as eleições que estão se aproximando e geram um clima de incerteza política.

O economista ainda ressalta que há também um temor quanto a reforma tributária e como os impostos indiretos podem afetar o setor. Além disso, houve uma desaceleração geral na economia mundial, com o conflito no Oriente Médio. Segundo ele, todos esses fatores contribuem no nível de confiança do empresário paranaense.

Rodrigo Schmidt, reforça essa visão: “Existe uma avaliação do empresário em relação ao momento econômico e político. Ele vê a questão das vendas e analisa se é o momento para contratar funcionários ou investir [no negócio]”.

Um dos fatores mais apontados na pesquisa, conforme Schmidt, foi a questão política. Ele acredita que, uma vez passadas as eleições, e com políticas de maior segurança econômica, o comerciante paranaense poderá elevar o seu nível de confiança.

Os números, de acordo com ele, demonstram uma manutenção do momento de mercado. “Não é algo tão preocupante, como foi na pandemia, é mais relacionado às percepções pelo volume de vendas e como o próprio consumidor recorre ao comércio para fazer aquisições”, diz. E completa: “Talvez não seja uma avaliação tão positiva, mas não é tão significativo”.

O momento pode variar em cada setor dentro do comércio. Schimdt cita como exemplo, os lojistas que compraram camisetas do Brasil para revender conforme o avanço da seleção na Copa. Com a eliminação, o período de compra diminuiu, e aquele material terá que ser absorvido de outra forma, como em uma liquidação.

Cautela com um toque de otimismo

Apesar da cautela, os comerciantes ainda planejam investir e manter o nível de emprego. A Pesquisa de Opinião do Empresário, realizada pela federação em conjunto com o Sebrae/PR revelou que 27,5% dos empreendedores do setor terciário esperam aumentar o seu faturamento até o fim do ano.

“Embora seja o menor índice de expectativa favorável de toda a série histórica, a pesquisa mostra que a maior parte dos empresários projeta estabilidade ou crescimento para o período”, destaca o órgão. Entre os otimistas e os que preveem estabilidade, a porcentagem chega a quase 50% da pesquisa, de acordo com o coordenador de desenvolvimento empresarial.

Dentro da pesquisa, 27,2% creem que o cenário atual ficará estável e apenas 17,8% projetam alguma redução no faturamento. Outros 27,5% não conseguiram definir uma expectativa.

Dezordi aponta que não há um cenário claro que aponte para uma retração da economia brasileira, e por essa razão os comerciantes do Paraná estão apenas cautelosos: “Alguns setores vão ter aumento de investimentos; alguns empresários vão continuar investindo quando necessário, em maquinário, reforma e modernização de instalações, marketing e na capacitação das suas equipes”.

Relação entre consumo e confiança dos empresários

Em junho, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) apresentou um recuo de 3,1% ante maio. Assim, o indicador chegou a 93,1 pontos – abaixo da linha de satisfação, de 100 pontos. A última vez que o Paraná superou essa linha foi em março deste ano e dezembro de 2025, com 103 pontos em cada mês.

O economista da Fecomércio detalha que a pesquisa parte de uma pergunta central aos empresários, quanto à dinâmica do seu faturamento e o que ele espera que vá acontecer nos meses subsequentes. Assim, o nível de satisfação do comerciante está diretamente relacionado à condição dos clientes. “Se o cliente consome mais, a perspectiva de faturamento dele é maior e o otimismo também”, resume Dezordi.

Para Schimdt, um dos pontos que deixam os comerciantes cautelosos, é o mesmo que afeta o poder de consumo das pessoas: os juros elevados. Ele explica que a população tende a recorrer para financiamentos e parcelas para adquirir bens.

“Nesse cenário de juros elevados, que estamos vivendo neste momento, é uma questão da política monetária que interfere nesse ambiente de negócios”, explica.

Ele também expõe uma preocupação com os jogos de aposta online, afirmando que isso gera um maior endividamento dos cidadãos. Então, rendas que poderiam ser direcionadas para o comércio, acabam perdidas.

“No Paraná não temos uma pesquisa mais aprofundada, mas pelo volume movimentado, vemos as ‘bets’ que podem estar desviando aquele dinheiro que normalmente iria para o consumo de bens e serviços”, ressalta Schimdt.

Consumo tende a crescer

No mesmo mês, a pesquisa de intenção de consumo das famílias (ICF), também elaborada pela Fecomércio-PR e pela CNC, apurou que houve uma alta mensal de 2,5% em junho, depois de uma sequência de três quedas, alcançando 95,1 pontos. Em relação ao mesmo mês em 2025, o acréscimo foi de 8,2%.

Conforme Dezordi, com a situação de juros mais altos na economia brasileira, o consumidor também está mais cauteloso. Financiamentos mais longos, por exemplo, estão sendo evitados e o custo de vida subiu. Segundo o economista, a inflação dos alimentos pode retirar um ponto de consumo do comércio.

Houve uma desaceleração de atividades como venda de veículos financiados, materiais de construção e equipamentos de escritório. Isso, de acordo com Dezordi, reflete a política de restrição de crédito, juros elevados e uma capacidade mais limitada de financiamentos para o consumidor.

Segundo a Federação, o item que mais pesou para a melhora foi a perspectiva de consumo, com aumento de 11,2% para 73 pontos. Além disso, o componente momento para duráveis, que avalia a disposição para adquirir móveis ou eletrodomésticos, subiu 9,6% em junho, somando 65,6 pontos.

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