Produção e logística

Empresa investe R$ 55 milhões em Apucarana e cria maior fábrica de fibras para suínos das Américas

GFS Apucarana / fachada de fábrica em Apucarana
GFS investe R$ 55 milhões em Apucarana e cria maior fábrica de fibras para suínos das Américas. (Divulgação / GFS)

Uma empresa de tecnologia para nutrição animal investiu R$ 55 milhões em Apucarana, no Norte do Paraná, para ampliar sua produção e colocar em operação uma nova fábrica. A unidade, da Global Feed Solutions (GFS), terá capacidade para produzir até 1,6 mil toneladas de fibras naturais por mês para a alimentação de suínos e, segundo a empresa, será a maior fábrica desse tipo nas Américas.

O investimento também multiplicará a capacidade de produção do principal produto da GFS. O aditivo utilizado na alimentação de aves passa de de 500 toneladas para 4,5 mil toneladas mensais, ou seja, nove vezes a antiga capacidade.

A nova estrutura foi inaugurada nesta quarta-feira (9) e transforma Apucarana em um importante ponto de produção e distribuição das tecnologias desenvolvidas pela empresa para a cadeia de proteína animal. 

A escolha da cidade também tem relação com logística. Localizada no Norte do Paraná, a cidade está próxima de importantes regiões produtoras de proteína animal e possui conexão com diferentes mercados consumidores do país. A nova unidade foi planejada para concentrar produção e distribuição. Com isso, a empresa pretende atender clientes do Sul, Sudeste e Centro-Oeste a partir do Paraná.

Fábrica paranaense mira um problema global

Por trás da expansão existe uma questão que pode parecer distante do consumidor, mas afeta diretamente a produção de carne: a disponibilidade de fósforo.

O mineral é essencial para a alimentação de animais, principalmente para formação óssea e desenvolvimento. Grande parte do fosfato utilizado na fabricação de rações vem da mineração de rochas fosfáticas, um recurso finito e concentrado em poucos países.

A GFS desenvolveu uma tecnologia que busca diminuir essa dependência. Seu principal produto é um aditivo que melhora o aproveitamento do cálcio e do fósforo já presentes na alimentação das aves. Dessa forma, o produtor pode reduzir a quantidade de fosfato adicionada à ração.

A empresa estima que a solução também possa reduzir custos para a cadeia produtiva. Segundo informações a companhia, a economia pode chegar a R$ 25 por tonelada de ração, dependendo da formulação utilizada.

Além da questão econômica, existe um componente ambiental. Quanto menor a necessidade de fosfato mineral, menor também a pressão sobre a extração de rochas fosfáticas.

Tecnologia criada no Paraná já chega ao exterior

A solução foi desenvolvida pela própria GFS e possui patente no Brasil. A tecnologia utiliza uma base orgânica formada por óleos ômega 3, 6 e 9 para aumentar o aproveitamento dos minerais presentes na dieta. Na prática, o objetivo é fazer com que o animal aproveite melhor aquilo que já está na ração.

A tecnologia também começou a ultrapassar as fronteiras brasileiras. O produto já é exportado para os Estados Unidos, mostrando como uma solução desenvolvida no Paraná pode atender uma necessidade da indústria de proteína animal em outros mercados.

Esse movimento ajuda a explicar a dimensão do investimento em Apucarana. A nova fábrica não atende apenas ao crescimento atual da empresa, mas cria espaço para ampliar a produção e alcançar novos mercados.

Fibras naturais para a criação de suínos

A nova planta também aposta em outra frente da nutrição animal. A GFS produzirá fibras naturais destinadas à alimentação de suínos. O material é produzido a partir de pinus de reflorestamento e tem como objetivo contribuir para a saúde intestinal dos animais e para o melhor aproveitamento dos nutrientes. Com a nova estrutura, a capacidade chegará a 1,6 mil toneladas por mês.

Segundo a GFS, trata-se da maior fábrica de fibras naturais para nutrição de suínos das Américas. E o mercado ainda tem espaço para crescer. A empresa estima que esse tipo de fibra esteja presente em aproximadamente 25% da produção de suínos no Brasil.

Um mercado de milhões de toneladas

O tamanho potencial desse mercado ajuda a dimensionar o investimento. Em 2025, a avicultura brasileira consumiu cerca de 45,28 milhões de toneladas de ração. Na suinocultura, foram outras 22,5 milhões de toneladas.

Juntas, as duas cadeias representam uma parcela expressiva da produção nacional de rações e estão diretamente ligadas a dois dos principais segmentos da produção de proteína animal brasileira.

O Brasil é ainda um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carnes de frango e suína. Por isso, pequenas mudanças no custo ou na eficiência da alimentação podem ter impacto significativo em toda a cadeia.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google