A disputa eleitoral de 2026 no Paraná recupera rivalidades do passado. Apesar das transformações na política nacional desde 2018, velhos antagonismos ressurgem com força, protagonizados pelos mesmos personagens em novos papéis. No centro do confronto estão a deputada federal Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao Senado pelo PT, e o senador Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e pré-candidato ao governo estadual pelo PL.
“A esquerda derrotará a extrema direita no Brasil e o juiz ladrão do Paraná”. A frase de Gleisi Hoffmann, pronunciada no último sábado (30/05), evoca o período em que Sergio Moro, ainda como juiz federal, determinou a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá. A condenação foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal em 2021.
Aliada próxima de Lula, a deputada federal mantém postura crítica em relação a Moro desde os tempos da operação Lava Jato na Justiça Federal em Curitiba. Em 2018, ela o descreveu como um juiz armado de ódio e de rancor e classificou a detenção do líder petista como prisão política que reedita os tempos da ditadura.
Disputa pelo poder no Paaná reposiciona antigos adversários
Em 2026, o adversário do PT permanece o mesmo, mas o contexto mudou. O embate agora ocorre pela disputa do poder estadual. Gleisi Hoffmann concorre ao Senado e apoia o deputado estadual Requião Filho, do PDT, para o governo do Paraná. Este cargo é justamente o objetivo de Sergio Moro, que trocou o União Brasil pelo PL para viabilizar sua pré-candidatura, com respaldo do presidenciável Flávio Bolsonaro.
Embora disputem cargos distintos, a estratégia de atacar o ex-juiz da Lava Jato deve se estender até outubro. A ofensiva visa não apenas fragilizá-lo regionalmente, mas também se relaciona com a aliança entre Moro e Flávio Bolsonaro, principal adversário do projeto de reeleição de Lula.
Ele acusou o Bolsonaro de interferência na PF. Que queria proteger o filho dele, envolvido com milícias. Saiu do governo e agora voltou. Mostrando que nunca quis combater a corrupção. Sempre foi um projeto de poder. É um biruta de aeroporto, atacou Gleisi Hoffmann.
Sergio Moro utiliza palanque nacional contra o PT
Após a Lava Jato, Sergio Moro ocupou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro e posteriormente se elegeu senador. Nessas funções, o PT sempre foi seu principal alvo. Na corrida eleitoral no Paraná, a dinâmica se repete, ainda que o adversário direto pelo governo estadual seja do PDT.
Mesmo com a presença maciça de todos os seus eleitores, o PT teve dificuldades para encher seu evento de sábado no Paraná. Na pauta, as velhas propostas de rever privatizações, defender criminosos e terroristas e demonizar os Estados Unidos, além das mentiras sobre a Lava Jato. O paranaense pode ficar tranquilo, nosso projeto bloqueará as pretensões do PT e de seus aliados no nosso estado, declarou o senador em resposta às declarações de Gleisi Hoffmann.
Pesquisas eleitorais apontam liderança de Moro
Na pesquisa eleitoral mais recente, Sergio Moro lidera tanto no cenário de primeiro turno quanto nas simulações de segundo turno. Segundo levantamento do IRG Pesquisas divulgado no final de maio, ele abre mais de 20 pontos percentuais de vantagem sobre Requião Filho na primeira volta e vence o adversário no cenário estimulado de segundo turno.
Além da disputa local, o senador representa importante ativo para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, amplificando pautas da direita e se contrapondo a Lula. Graças ao trabalho do Flávio Bolsonaro, houve a colocação do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. Alguém aqui ficou triste com isso? Alguém aqui defende terrorista? O Lula defende, ele falou isso hoje, discursou Moro em evento de pré-campanha na última sexta-feira 29, em Curitiba, que contou com a presença de Flávio Bolsonaro.
Metodologia da pesquisa citada
IRG Pesquisas 21/5/2026: 1.000 entrevistados pelo IRG Pesquisas entre os dias 16 e 20 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3,1 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-06178/2026.
Deltan Dallagnol reedita confronto com PT na disputa pelo Senado
A aliança entre PL e Novo, liderada por Sergio Moro, inclui ainda a pré-candidatura ao Senado do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, pelo Novo. Ele também já protagonizou atritos com petistas paranaenses durante a pré-campanha. Em maio, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes derrubou decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná que havia determinado multa e exclusão de postagem do deputado federal Zeca Dirceu, do PT, sobre a situação eleitoral de Dallagnol.
O pré-candidato do Novo classificou a postura do magistrado como intragável e o acusou de permitir a propagação de fake news. O ministro Gilmar Mendes, que vive me atacando e xingando, liberou que façam fake news contra mim, permitindo que meus opositores mintam, quando o TSE não me declarou inelegível nem cassou meus direitos políticos, rebateu Dallagnol.
