Após o resultado da eleição presidencial, divulgado na noite de domingo (25), a deputada estadual pelo Paraná Jessicão (PL) publicou na rede social X uma mensagem orientando empregadores a demitirem funcionários que apoiaram a reeleição de Lula (PT).
“Você tem uma empregada que é petista? Demita! Tem um funcionário que é petista? Demita! Seu barbeiro é petista? Troque de barbeiro”, escreveu em publicação. “A porcaria do voto dele prejudica o seu negócio, prejudica a sua família e prejudica toda a sua vida. Demita o mal”, completou a parlamentar.
Jessicão foi eleita deputada estadual com 131.673 votos. Ela foi a segunda candidata mais votada para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Nesta segunda-feira (26), o deputado estadual Requião Filho (PDT) informou na Alep que encaminhou um ofício ao Ministério Público do Trabalho (MPT) solicitando a apuração de um possível assédio eleitoral. “Perseguição a pessoas por credo, religião ou orientação sexual são crimes no Brasil e nós vamos combater esse tipo de comportamento”, disse a jornalistas.
Procurado pela Tribuna do Paraná, o MPT confirmou que recebeu mais de uma denúncia sobre o vídeo publicado por Jessicão e abriu um procedimento para investigar o caso por suspeita de assédio eleitoral.
Segundo o órgão, mesmo quem não é o empregador direto pode ser responsabilizado legalmente por incentivar demissões motivadas por posicionamento político, conduta considerada discriminatória.
Se as irregularidades forem comprovadas ao longo do processo, o órgão pode emitir recomendações, propor a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), exigir retratação pública ou até mover uma ação civil pública com pedido de indenização por danos morais coletivos.
O MPT frisou ainda que práticas discriminatórias e intimidações ligadas a pleitos eleitorais continuam sendo apuradas mesmo após o fim da votação, estendendo-se até o período de diplomação dos eleitos, que ocorre até 19 de dezembro.
A reportagem também procurou Jessicão, mas não obteve retorno até a publicação do material. O espaço segue aberto para manifestações.
