Duas baleias-de-Bryde (Balaenoptera brydei), espécie considerada ameaçada e pouco conhecida no litoral brasileiro, foram avistadas no Litoral do Paraná entre os dias 18 e 19 de julho. O registro foi feito por pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR) durante um sobrevoo de monitoramento na Baía de Guaratuba.

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O  último registro da espécie no litoral paranaense havia sido feito há cerca de dez anos. Os pesquisadores identificaram uma fêmea acompanhada de um filhote, situação considerada rara na região.

As baleias-de-Bryde habitam mares tropicais e subtropicais e acompanham a costa conforme a disponibilidade de alimento. Os animais podem atingir até 25 metros de comprimento, tamanho semelhante ao de um ônibus articulado.

“Estávamos buscando uma baleia-jubarte avistada próxima à Ilha do Mel, em Paranaguá, e, ao procurá-la em Guaratuba, fomos surpreendidos por essas duas baleias-de-Bryde. Esse registro, de uma mãe e um filhote, foi muito positivo para nós”, afirma Rafael Galvão, coordenador do setor de fauna do Instituto Água e Terra (IAT) no Litoral.

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Embora existam registros anteriores, ainda se sabe pouco sobre a presença da espécie no Paraná. Ela é classificada como Dados Insuficientes (DD) nas listas de espécies ameaçadas, categoria aplicada quando ainda não há informações suficientes para avaliar seu risco de extinção.

“A baleia-de-Bryde já foi avistada em nossa região em outros anos, mas ainda não sabemos com que frequência utiliza o litoral paranaense nem qual é a importância da região para a espécie”, explica Daiane Marcondes, pesquisadora do LEC-UFPR e integrante do Projeto MegaCoast.

Duas baleias-de-Bryde avistadas em Guaratuba. Foto: Daiane Marcondes/LEC-UFPR.
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Além das baleias-de-Bryde, a equipe registrou mais de 60 animais marinhos durante os voos, entre golfinhos, baleias, tartarugas marinhas, tubarões e raias. Segundo os pesquisadores, o aumento dos avistamentos pode estar relacionado ao encerramento da operação do ferry-boat na travessia entre Guaratuba e Matinhos, embora essa relação ainda dependa de novos estudos.

“O impacto ambiental do ferry-boat era significativo, tanto pelos ruídos produzidos quanto pelo lançamento de óleo e efluentes na água. Com a redução da circulação dessas embarcações, os animais podem utilizar a baía com mais facilidade e segurança”, afirma Galvão.

Os novos registros ajudam a ampliar o conhecimento sobre as espécies que utilizam o litoral paranaense, seus padrões de deslocamento e as áreas prioritárias para conservação, além de subsidiar políticas públicas voltadas à proteção da biodiversidade marinha.