Um vídeo gravado por uma criança de 8 anos foi utilizado como um dos principais elementos para embasar a denúncia que tornou o padrasto réu na Justiça por violência doméstica. No último domingo (30), quando as imagens foram registradas, um homem de 54 anos agrediu a esposa dentro de casa, em Jaguariaíva, nos Campos Gerais do Paraná.
No dia seguinte, ele foi preso em flagrante e, nesta semana, denunciado à Justiça pelos crimes cometidos contra a mulher.
As imagens foram feitas pelo filho da vítima enquanto a irmã mais nova, de dois anos, filha do casal, também estava no local. No vídeo, o homem aparece desferindo socos, puxando o cabelo da mulher, empurrando-a e atingindo-a com um pedaço de madeira. Em outro momento, ele tenta sufocá-la com um travesseiro. A sequência registra diferentes formas de agressão ocorridas dentro da residência.
Durante a gravação, a vítima percebe que o filho está registrando as agressões e o incentiva a continuar. “Filma, eu vou morrer, mas pelo menos ele vai preso”, afirma a mulher. Segundo o relato prestado à Polícia Civil do Paraná (PCPR), o homem percebeu que estava sendo filmado, conseguiu tomar o celular da criança e o escondeu. Mesmo depois disso, a violência continuou durante a noite.
“A discussão começou após o homem se negar a cuidar da própria filha”, explicou o delegado Willian Arantes Antunes, em entrevista à RPC TV. “O indiciado, percebendo que estava sendo gravado, teria corrido atrás da criança para pegar o celular novamente.”
Após o homem adormecer, a mulher conseguiu recuperar o celular e compartilhou o vídeo nas redes sociais. A irmã da vítima viu as imagens e acionou a Guarda Municipal. Então, a equipe foi até o local e prendeu o homem em flagrante.
Vítima já tinha denunciado anteriormente
Segundo informações da PCPR, o homem já havia sido denunciado anteriormente pela própria vítima por violência doméstica. Ele também tinha passagem pelo crime de receptação.
Neste novo processo, o homem responderá pelos crimes de lesão corporal qualificada, ameaça e vias de fato, praticados no contexto de violência doméstica. A denúncia foi oferecida pela Promotoria de Justiça de Jaguariaíva na terça-feira (1º).
O caso agora segue na Justiça, que vai analisar as acusações apresentadas pelo Ministério Público do Paraná e os demais elementos reunidos durante a investigação. O processo tramita sob sigilo.
