Foto: Átila Alberti

Compras de última hora fizeram a alegria dos comerciantes.

Sábado de aleluia é sinônimo de muita gente nas ruas para as compras de Páscoa de última hora. Ontem pela manhã, supermercados, lojas e feiras já evidenciavam o movimento, provando a tese dos comerciantes de que o dia anterior à festividade é sempre o melhor. E nem os ovos quebrados ou a falta de algumas opções nas prateleiras desanimaram os compradores.

?Como sempre, do jeito que a gente é acomodada, fica para a última hora. Mas não me importo: sábado é mais folgado para comprar. E eu consegui achar tudo o que queria?, disse a aposentada Florita de Lara, que correu para o supermercado logo cedo para comprar ovos para a criançada. No último dia, a tentação é grande até para quem já está com tudo pronto. Era o caso da médica Celeste Regiane, que, passando pelo supermercado, não conseguiu deixar de verificar a seção de ovos de Páscoa. ?Já comprei todos, mas a gente sempre pensa em um extra no caso de um amigo ou parente chegar com presentes?, justificou.

Há quem diga, inclusive, que há grandes vantagens nas compras de véspera. O contador Dario Luis de Oliveira, que enchia a cesta com ovos de todos os tipos, é um exemplo. ?Deixo para a última hora e acabo levando vantagem porque o preço é sempre melhor.? Quanto às opções, não tem problema se faltar alguma. Já a fisioterapeuta Simone Chaves, que deixou para levar os dez ovos da família um dia antes da Páscoa, discorda. ?Dois dos (ovos) que eu procurava não tem mais. Só quebrados?, lamentava. O jeito foi levar as opções mais comuns, geralmente as que sobram na véspera.

Feira

Nas praças do centro da cidade o movimento era ainda maior. Na Osório, a feira de Páscoa encantava quem passava pelo local, para alegria dos comerciantes. ?Aqui a gente tem opções mais bonitas, com presentes individualizados. Você olha e percebe no artesanato a cara da pessoa que quer presentear?, enfatizou a estudante Talita Polita. ?Além disso, o preço é justo para coisas tão delicadas e bonitas.?

Opções não faltavam nem mesmo para os compradores de última hora. Cestas, pelúcias, enfeites e chocolate, muito chocolate, seja em forma de ovos decorados ou bombons, mostravam o diferencial do artesanato para o presente de Páscoa e a preços competitivos. Na barraca do comerciante Jander Klechovicz o ovo de 400 gramas, com chocolate de marca e embrulho de juta, saía por R$ 25. E até árvore de chocolate podia ser encontrada a R$ 12.

Tradição polonesa

Joyce Carvalho

A comunidade polonesa residente em Curitiba realizou ontem, no Bosque João Paulo II, um dos rituais mais tradicionais da Páscoa: a bênção dos alimentos que serão consumidos hoje. É uma tradição milenar que ainda resiste entre os descendentes de poloneses. ?A realização da bênção dos alimentos no Bosque também ajuda a reativar a memória e a tradição?, afirma Danuta Lisicki de Abreu, uma das organizadoras do evento.

A bênção dos alimentos é considerada uma forma de agradecimento a Deus. As famílias montam cestas com trigo, babka (espécie de panetone feito com 24 ovos e iguarias), laticínios, carnes defumadas, frutas, tranças, sal, pimenta, mel, raiz forte e um carneirinho de manteiga. A cesta só fica completa com as pêssancas, os tradicionais ovos pintados.

Os alimentos serão consumidos hoje, durante o café da manhã. Cada pessoa precisa colocar em seu prato um pouco de cada alimento abençoado. Mas é permitido comer outros pratos. Neste momento, também acontece a troca das pêssancas. Cada ovo pintado tem um significado e uma mensagem diferente.

Ontem, a comunidade polonesa e outros visitantes puderam acompanhar apresentações de dança e músicas típicas da Polônia, no bosque. Além disso, conferiram uma exposição com pêssancas feitas por poloneses em várias regiões do mundo.