O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 60,5 milhões para a Coamo Agroindustrial ampliar a capacidade de armazenagem de grãos no Paraná. O investimento total do projeto soma R$ 64,2 milhões, somando recursos próprios e financiamento.
O aporte é uma fração do pacote de cerca de R$ 1 bilhão que a maior cooperativa agrícola do país pretende investir neste ano, que inclui ainda a conclusão de usinas de etanol de milho em Campo Mourão e de biodiesel em Paranaguá, além da renovação da frota e da expansão logística.
Onde o dinheiro do BNDES será aplicado
Do total financiado, R$ 41 milhões serão usados na construção de cinco silos anexos à usina de etanol de milho de Campo Mourão, que vai processar 1,7 mil toneladas de milho por dia e produzir 765 mil litros de etanol diários. Os novos silos terão capacidade conjunta de 32,7 mil toneladas.
Em São João do Ivaí, outros R$ 23,2 milhões vão financiar a construção de dois silos de 10 mil toneladas cada, além de um novo secador e a modernização do sistema de transporte de grãos. Com as obras, a capacidade estática da unidade sobe de 40 mil para 60 mil toneladas.
O financiamento saiu por dois programas do BNDES ligados ao Plano Safra: o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop).
Parte de uma onda maior de investimentos
O reforço em armazenagem chega junto com um plano bem mais ambicioso de expansão industrial. A Coamo negocia dobrar a capacidade da fábrica de óleo de soja de Paranaguá, hoje em 2,5 mil toneladas por dia, para 5 mil toneladas. O investimento na planta soma R$ 500 milhões, dos quais R$ 200 milhões já estão sendo aplicados neste ano. A proposta de duplicação da capacidade ainda depende de aprovação em assembleia, prevista para fevereiro de 2027.
O maior projeto em andamento, porém, é a construção de um terminal portuário próprio em Itapoá, em Santa Catarina, orçado em R$ 3 bilhões. A obra está em fase de licenciamento e deve começar em 2030. A cooperativa também investe R$ 400 milhões em uma usina de biodiesel e outros R$ 100 milhões em melhorias no terminal que arrenda no porto de Paranaguá, cujo contrato com a União foi renovado por mais 25 anos.
Crescimento em cooperados e faturamento recorde
Além das novas plantas, a Coamo tem expandido sua área de atuação. Neste ano, a cooperativa abriu três unidades no Mato Grosso do Sul e incorporou 15 unidades na região de Londrina e nos Campos Gerais, no Paraná, áreas em que não operava até então. Entre as aquisições recentes está a compra de quatro armazéns de grãos em Sabáudia, Assaí, Bela Vista do Paraíso e Cambé, por R$ 136 milhões, que pertenciam ao fundo Pátria e eram arrendados pela Belagrícola.
O ritmo de investimentos acompanha o desempenho financeiro da cooperativa. Depois de uma safra considerada muito boa, a Coamo projeta faturamento recorde neste ano, com alta de cerca de 10% e superando a marca de R$ 30 bilhões.
