Estado de alerta

70% das cidades do Paraná estão vulneráveis a desastres climáticos, aponta TCE

Em 2025, mais de 240 cidades foram afetadas por desastres: Foto: Arquivo/Átila Alberti/Tribuna do Paraná.

Uma pesquisa preliminar do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), divulgada nesta terça-feira (21), aponta que seis em cada dez municípios paranaenses não possuem estrutura adequada para o funcionamento da Defesa Civil. O levantamento também mostra que sete em cada dez cidades não contam com sistemas capazes de alertar a população sobre eventos climáticos extremos.

O estudo utiliza dados do Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (ProGov), que analisa a eficácia das políticas públicas implementadas pelas prefeituras. A base de dados, atualmente em processo de certificação pela Fundação Getulio Vargas (FGV), já avaliava áreas como saúde, educação, assistência social, gestão fiscal, previdência e transparência. Em 2026, passou a incluir indicadores relacionados à prevenção e resposta a desastres climáticos.

Segundo o levantamento, 68,17% dos 399 municípios do Paraná não possuem servidores dedicados exclusivamente às atividades da Defesa Civil. Além disso, 60,9% não dispõem de estrutura física própria, como sala equipada com computadores, acesso à internet e mobiliário destinado exclusivamente ao órgão.

A precariedade também afeta a capacidade de resposta às emergências. Em mais de 200 municípios, a Defesa Civil não possui veículos para acessar áreas remotas. Mais da metade das cidades também não conta com linha telefônica exclusiva para atendimento à população.

Outro dado levantado é a falta de sistemas de alerta. De acordo com o TCE-PR, 70,93% dos municípios não possuem mecanismos capazes de alcançar rapidamente toda a população, como carros de som, megafones, rádios comunitárias, aplicativos de mensagens ou outros meios de comunicação emergencial.

À Tribuna do Paraná, a Coordenação Estadual da Defesa Civil (Cedec) afirmou envia alertas em tempo real por meio de redes sociais, mensagens de SMS e WhatsApp com a previsão para todo o estado. “Essas informações também são repassadas diretamente aos coordenadores municipais das áreas envolvidas para que possam adotar as medidas necessárias”, diz a nota.

O levantamento também mostra que mais da metade das prefeituras não avaliou, em 2025, a eficácia do Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil. Em muitos casos, o município sequer possui esse documento elaborado. A Cedec também informou que os planos mapeiam as áreas de risco, a população vulnerável, os abrigos e demais ações ligadas às etapas mencionadas, e devem ser atualizados anualmente.

Garantimos todo o suporte aos coordenadores municipais durante o processo de atualização por meio dos nossos profissionais nos 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR) espalhados pelo Paraná.

Mais de 240 cidades do Paraná já sofreram desastres

Dados do Sistema Informatizado de Defesa Civil, da Cedec,mostram que 574 desastres naturais atingiram 246 municípios paranaenses em 2025, afetando 292.237 pessoas. Ao longo do ano, 27 mortes foram registradas em decorrência de eventos climáticos.

Em 2026, até julho, o Sistema Informatizado da Defesa Civil já contabilizava 240 ocorrências relacionadas a desastres ambientais e climáticos. No período, 45 municípios decretaram situação de emergência, enquanto os prejuízos aos cofres públicos chegaram a R$ 796,4 milhões.

A tendência é de que os desafios aumentem nos próximos meses. Com a atuação do Super El Niño, a previsão é de chuvas acima da média no Paraná, principalmente no Litoral, elevando o risco de alagamentos, inundações e deslizamentos de terra, sobretudo em áreas historicamente mais vulneráveis.

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