A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (6) e já preocupa a indústria paranaense. No Paraná, a cidade de Campo Largo aparece entre as dez mais impactadas pela medida, ocupando a sétima posição no ranking, o que acende um alerta para setores estratégicos da economia estadual.
O levantamento foi feito pelo Estadão e mostra que 906 municípios brasileiros serão afetados pela medida, que incide sobre parte das exportações nacionais, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Amcham Brasil.
A pesquisa aponta Piracicaba (SP) como o município mais afetado pelo tarifaço, com US$ 1,19 bilhão em exportações impactadas. Na sequência, aparecem São Paulo (SP), com US$ 239,4 milhões, e Joinville (SC), com US$ 229,9 milhões.
Completam a lista das dez cidades mais atingidas Serra (ES), com US$ 216,1 milhões; Petrópolis (RJ), com US$ 203,7 milhões; Suzano (SP), com US$ 191,9 milhões; e Campo Largo (PR), único município paranaense entre os dez primeiros, com US$ 184,1 milhões. Fecham o ranking Cachoeiro de Itapemirim (ES), com US$ 178,6 milhões; Guarulhos (SP), com US$ 176,8 milhões; e Caçador (SC), com US$ 176 milhões.
Segundo o superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, Campo Largo concentra atividades diretamente atingidas pelas taxações aplicadas pelos Estados Unidos, especialmente nos segmentos metalmecânico e de cerâmica.
“Campo Largo é um dos municípios mais afetados porque reúne setores fortemente dependentes do mercado americano. Além disso, a cadeia madeireira, que sustenta a economia de diversos municípios de médio e pequeno porte do Paraná, também enfrenta um cenário delicado, já que os Estados Unidos são o único mercado com escala para absorver o sistema construtivo Wood Frame”, explica.
No Sul, o setor que mais foi afetado pelo anúncio foi o de madeira, que também já havia sido taxado em 50% no ano passado. As perdas devem afetar Jaguariaíva (PR), Guarapuava (PR), Palmas (PR) e Telêmaco Borba (PR), entre outras.
Na avaliação da Fiep, os impactos vão muito além da redução das exportações. A tendência é de perda de competitividade da indústria paranaense, retração de investimentos e reflexos sobre o mercado de trabalho. “As consequências incluem perda de empregos, fuga de investimentos para países vizinhos e redução da competitividade das empresas brasileiras frente aos concorrentes internacionais”, afirma Mohr.
Como amenizar os efeitos do tarifaço de Trump
Para tentar reduzir os prejuízos, a Fiep atua em diferentes frentes. Entre elas estão a articulação com clientes norte-americanos para buscar exceções às novas tarifas, o diálogo com os governos estadual e federal em busca de linhas de apoio financeiro às empresas exportadoras e a abertura de novos mercados consumidores.
Segundo a entidade, essa última alternativa, embora necessária, exige tempo e investimentos, tornando a adaptação um processo complexo.
A expectativa da Federação é de que os próximos meses sejam desafiadores para a indústria exportadora do Paraná. Enquanto parte dos produtos brasileiros ficou de fora da nova tributação, itens importantes para a economia nacional continuam sujeitos à tarifa de 50%, ampliando a preocupação do setor produtivo com os efeitos sobre o crescimento econômico, a geração de empregos e a capacidade de competir no mercado internacional.
Outras cidades do Paraná listadas na pesquisa
Além das já citadas Campo Largo, Jaguariaíva, Telêmaco Borba, Guarapuava e Palmas, outros municípios paranaenses os 100 mais afetados de acordo com o levantamento são:
- 20º Curitiba – US$ 96.877.816
- 41º Ponta Grossa – US$ 29.071.884
- 48º Sengués – US$ 22.783.696
- 53º Ibaiti – US$ 20.730.276
- 54º Bituruna – US$ 18.954.085
- 58º Maringá – US$ 17.672.518
- 60º Imbituva – US$ 17.283.689
- 64º Piên – US$ 16.363.808
- 79º Coronel Domingos Soares – US$ 13.062.404
