Economia

Cidade do Paraná está entre as 10 mais atingidas por tarifaço de Donald Trump

imagem mostra um grande trator carregando com uma garra mecanica toras de madeira empilhadas
tarifas de Donald Trump impactam diretamente na indústria do Paraná. Foto: Deposit Photos

A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (6) e já preocupa a indústria paranaense. No Paraná, a cidade de Campo Largo aparece entre as dez mais impactadas pela medida, ocupando a sétima posição no ranking, o que acende um alerta para setores estratégicos da economia estadual.

O levantamento foi feito pelo Estadão e mostra que 906 municípios brasileiros serão afetados pela medida, que incide sobre parte das exportações nacionais, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Amcham Brasil.

A pesquisa aponta Piracicaba (SP) como o município mais afetado pelo tarifaço, com US$ 1,19 bilhão em exportações impactadas. Na sequência, aparecem São Paulo (SP), com US$ 239,4 milhões, e Joinville (SC), com US$ 229,9 milhões.

Completam a lista das dez cidades mais atingidas Serra (ES), com US$ 216,1 milhões; Petrópolis (RJ), com US$ 203,7 milhões; Suzano (SP), com US$ 191,9 milhões; e Campo Largo (PR), único município paranaense entre os dez primeiros, com US$ 184,1 milhões. Fecham o ranking Cachoeiro de Itapemirim (ES), com US$ 178,6 milhões; Guarulhos (SP), com US$ 176,8 milhões; e Caçador (SC), com US$ 176 milhões.

Segundo o superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, Campo Largo concentra atividades diretamente atingidas pelas taxações aplicadas pelos Estados Unidos, especialmente nos segmentos metalmecânico e de cerâmica.

“Campo Largo é um dos municípios mais afetados porque reúne setores fortemente dependentes do mercado americano. Além disso, a cadeia madeireira, que sustenta a economia de diversos municípios de médio e pequeno porte do Paraná, também enfrenta um cenário delicado, já que os Estados Unidos são o único mercado com escala para absorver o sistema construtivo Wood Frame”, explica.

No Sul, o setor que mais foi afetado pelo anúncio foi o de madeira, que também já havia sido taxado em 50% no ano passado. As perdas devem afetar Jaguariaíva (PR), Guarapuava (PR), Palmas (PR) e Telêmaco Borba (PR), entre outras.

Na avaliação da Fiep, os impactos vão muito além da redução das exportações. A tendência é de perda de competitividade da indústria paranaense, retração de investimentos e reflexos sobre o mercado de trabalho. “As consequências incluem perda de empregos, fuga de investimentos para países vizinhos e redução da competitividade das empresas brasileiras frente aos concorrentes internacionais”, afirma Mohr.

Como amenizar os efeitos do tarifaço de Trump

Para tentar reduzir os prejuízos, a Fiep atua em diferentes frentes. Entre elas estão a articulação com clientes norte-americanos para buscar exceções às novas tarifas, o diálogo com os governos estadual e federal em busca de linhas de apoio financeiro às empresas exportadoras e a abertura de novos mercados consumidores.

Segundo a entidade, essa última alternativa, embora necessária, exige tempo e investimentos, tornando a adaptação um processo complexo.

A expectativa da Federação é de que os próximos meses sejam desafiadores para a indústria exportadora do Paraná. Enquanto parte dos produtos brasileiros ficou de fora da nova tributação, itens importantes para a economia nacional continuam sujeitos à tarifa de 50%, ampliando a preocupação do setor produtivo com os efeitos sobre o crescimento econômico, a geração de empregos e a capacidade de competir no mercado internacional.

Outras cidades do Paraná listadas na pesquisa

Além das já citadas Campo Largo, Jaguariaíva, Telêmaco Borba, Guarapuava e Palmas, outros municípios paranaenses os 100 mais afetados de acordo com o levantamento são:

  • 20º Curitiba – US$ 96.877.816
  • 41º Ponta Grossa – US$ 29.071.884
  • 48º Sengués – US$ 22.783.696
  • 53º Ibaiti – US$ 20.730.276
  • 54º Bituruna – US$ 18.954.085
  • 58º Maringá – US$ 17.672.518
  • 60º Imbituva – US$ 17.283.689
  • 64º Piên – US$ 16.363.808
  • 79º Coronel Domingos Soares – US$ 13.062.404

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