A camada acinzentada visível sobre grandes cidades no outono e inverno, em dias secos, é formada por poluentes e materiais particulados acumulados devido à inversão térmica, fenômeno que também provoca a coloração alaranjada do céu ao entardecer. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) explica que essa condição meteorológica impede a dispersão natural dos poluentes para a atmosfera.
Em uma atmosfera padrão, o ar mais quente e leve fica próximo à superfície, enquanto o ar frio e pesado permanece acima, criando uma circulação vertical que dispersa os poluentes. Na inversão térmica, uma camada de ar frio se forma perto do solo e, por ser mais pesada, bloqueia essa circulação. Com isso, os poluentes ficam concentrados na camada onde as pessoas vivem e respiram, agravando problemas respiratórios.
O fenômeno é mais comum no outono e inverno, quando massas de ar frio predominam, ocorrendo principalmente durante a madrugada e início da manhã. Com o aquecimento do sol ao longo do dia, a inversão perde força e os poluentes conseguem se dispersar entre o final da manhã e a tarde.
Quando uma massa de ar seco e frio permanece por vários dias, a concentração de poluentes se torna evidente por períodos prolongados, especialmente em grandes cidades. Além dos poluentes urbanos, acumulam-se materiais particulados vindos de incêndios florestais. Essa concentração pode reduzir a visibilidade e criar uma névoa seca, diferente da neblina formada por gotículas de água.
Por que o céu fica laranja no final da tarde?
De acordo com o Simepar, a coloração alaranjada do céu ao amanhecer e entardecer ocorre porque a luz solar percorre um caminho mais longo na atmosfera nesses horários.
A luz azul e violeta, de ondas curtas, se dispersa completamente, enquanto a luz vermelha, laranja e amarela, de ondas longas, consegue atravessar. A poluição e a poeira concentradas pela inversão térmica intensificam esses tons alaranjados.



