Gigantes do comércio eletrônico e grandes operadores logísticos estão acelerando investimentos no Paraná em uma disputa que vai muito além da conquista de consumidores. A instalação de novos centros de distribuição e a ampliação de estruturas já existentes têm consolidado o estado como um dos principais polos logísticos do país, impulsionando a geração de empregos, atraindo empresas de apoio e fortalecendo cidades estratégicas como Araucária, São José dos Pinhais, Curitiba, Campina Grande do Sul e Londrina.
Nos últimos meses, o Paraná passou a concentrar alguns dos principais projetos logísticos em andamento no Brasil. Enquanto o Mercado Livre ampliou sua presença em Araucária, a Amazon avança com um novo empreendimento em São José dos Pinhais e a Shopee iniciou a implantação de um complexo logístico de grande porte em Londrina. Paralelamente, empresas de outros segmentos também reforçam suas operações, como a Suzano, que inaugurou em Campina Grande do Sul seu primeiro centro de distribuição de bens de consumo da Região Sul, operado pela DHL Supply Chain.
Para o governo estadual, a combinação entre localização estratégica, infraestrutura e políticas de incentivo explica a capacidade de atração desses empreendimentos. Segundo a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços, a proximidade dos mercados consumidores do Sul e Sudeste, aliada à malha rodoviária e aeroportuária, tem colocado o estado no radar das grandes companhias de logística e comércio eletrônico.
A estratégia já apresenta reflexos concretos. Apenas o novo centro logístico da Shopee em Londrina tem expectativa de gerar até dois mil empregos diretos. O centro de distribuição do Mercado Livre em Araucária deve criar mais de três mil vagas diretas. Somados aos empregos indiretos gerados por transportadoras, serviços de manutenção, alimentação e segurança, os números ajudam a explicar o interesse crescente pelo estado.
Centros de distribuição impulsionam desenvolvimento regional
Os efeitos da chegada dessas operações vão além dos limites dos municípios onde elas são instaladas. Segundo a Invest Paraná, os grandes empreendimentos funcionam como âncoras para novos negócios, atraindo empresas de transporte, armazenagem e serviços especializados.
O fenômeno já pode ser observado em Londrina e Araucária, que passam a desempenhar papel cada vez mais relevante na conexão logística entre o Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e os demais estados da Região Sul.
Para Giliardi Oliveira, CEO da Soft-TI Informática e especialista em logística, o diferencial do Paraná está na combinação entre geografia e infraestrutura. “O Paraná está exatamente no caminho entre o Sudeste, que concentra o consumo, e o restante do Sul. Quem instala uma operação aqui alcança os dois mercados com o mesmo investimento. Além disso, o estado conta com rodovias, ferrovias e o Porto de Paranaguá funcionando de forma integrada”, explica.
Segundo ele, a descentralização dos centros de distribuição acompanha uma mudança de comportamento do consumidor. “O modelo de poucos mega centros está dando lugar a redes mais capilarizadas, com hubs espalhados pelo interior e cada vez mais próximos do cliente final”, afirma.

Estruturas ajudam a reduzir prazos de entrega
A principal motivação por trás dessa corrida logística é a busca por entregas cada vez mais rápidas. Com consumidores mais exigentes e acostumados a compras online, empresas disputam eficiência operacional para reduzir prazos e custos.
A Shopee afirma que sua infraestrutura nacional já conta com 22 centros de distribuição, mais de 200 hubs de primeira e última milha, além de mais de 3 mil agências e 45 mil motoristas parceiros. No Paraná, a empresa mantém dois centros de distribuição, 15 hubs logísticos e mais de 370 Agências Shopee.
Segundo a companhia, a expansão da rede permitiu reduzir em mais de um dia o prazo médio de entrega no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.
O novo empreendimento de Londrina deverá reforçar essa estratégia. Com 33 mil metros quadrados de área construída, o complexo atenderá o Norte do Paraná, o interior paulista e o Mato Grosso do Sul, reduzindo distâncias e ampliando a capacidade de atendimento da plataforma.
Em Campina Grande do Sul, a Suzano também aposta na proximidade com os consumidores. O centro de distribuição inaugurado em parceria com a DHL possui mais de 9 mil metros quadrados, capacidade para armazenar mais de 2 mil toneladas de produtos e atende os mercados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
De acordo com a DHL, a operação gerou 70 empregos diretos e mais de 50 indiretos. Para Ricardo Guidi, vice-presidente de Operações da empresa, o Paraná reúne características que o tornam um dos destinos mais atrativos para investimentos logísticos no país. “A localização privilegiada, a infraestrutura de transportes e a proximidade com grandes mercados consumidores favorecem operações mais eficientes e competitivas”, afirma.
A avaliação é compartilhada pelo especialista em logística Giliardi Oliveira. Para ele, embora São Paulo continue liderando o mercado nacional de galpões logísticos, o Paraná se consolidou entre os principais polos do país por reunir características difíceis de replicar em outras regiões. “A posição do Paraná não foi comprada apenas com incentivo fiscal. Ela vem da geografia, do eixo Sul-Sudeste, dos fornecedores de insumo dentro de casa e do acesso a todos os modais com o Porto de Paranaguá no pacote. Incentivo fiscal um governo dá e outro tira. Geografia ninguém tira”, conclui.
