Investimento

Após aporte de holding do Shark Tank, empresa do Paraná quer triplicar lucro

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OrthoDontic prevê fechar o ano de 2026 com R$ 615 milhões em faturamento. (Crédito: Divulgação / OrthoDontic)

A rede de franquias de ortodontia OrthoDontic, nascida em Londrina, no norte do Paraná, projeta triplicar o lucro líquido em quatro anos depois de vender parte do negócio a uma holding de investimentos ligada ao programa Shark Tank Brasil. A operação, fechada em dezembro de 2022, reúne 16 empresas no portfólio do fundo e trouxe reforço de governança e tecnologia para a rede paranaense.

“Tivemos fortalecimento no processo de governança, tendo tecnologia como fio condutor. Acho que foi muito mais juntar forças dentro do que já era forte”, afirma Lorraine Marcondes, CEO da OrthoDontic.

Os números do período comprovam o salto. A companhia encerrou 2025 com faturamento de R$ 570 milhões e projeta R$ 615 milhões neste ano. O crescimento acompanha a expansão da rede, que soma hoje cerca de 350 unidades em 281 municípios brasileiros, das quais 293 ficam fora das capitais do país.

Trajetória de quase 24 anos, sem pressa para crescer

A OrthoDontic nasceu da união de cinco dentistas recém-formados em Londrina, com o objetivo de ampliar o acesso a tratamentos ortodônticos de qualidade. Segundo Lorraine, a ideia de transformar o negócio em franquia surgiu já nos primeiros anos, mas a prioridade sempre foi a qualidade do atendimento, não a velocidade da expansão.

“Desde o começo, a intenção nunca foi expansão. A preocupação era qualidade”, diz a CEO. O crescimento inicial seguiu uma lógica de proximidade geográfica: a rede nasceu no Paraná, avançou para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, formando uma base forte no Sul do país antes de expandir para o Sudeste e, mais recentemente, para o Norte e o Nordeste.

Esse ritmo também aparece na relação com os franqueados: 80% deles já abriram mais de uma unidade, e o maior franqueado da rede opera hoje 14 clínicas. “Ninguém investe de novo se não perceber valor agregado no que está entregando”, afirma Lorraine, para quem o principal erro do franchising é buscar uma quantidade de pontos desenfreada em vez de crescimento sustentável.

Pioneira em franquear serviço, não produto

A OrthoDontic também se apresenta como pioneira em um modelo até então raro no franchising brasileiro. Antes dela, o setor era dominado por franquias de produto, como O Boticário e Cacau Show. A rede de Londrina foi uma das primeiras a estruturar um serviço – no caso, o tratamento ortodôntico – dentro do formato de franquia.

Hoje, cada unidade fatura em média R$ 250 mil por mês, com lucratividade de 20% a 25% – o equivalente a cerca de R$ 60 mil de lucro mensal por franqueado. A rede soma 350 mil clientes ativos, atendidos por meio de contratos de 36 meses, com planos que começam em R$ 120 mensais.

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Cada unidade fatura em média R$ 250 mil por mês, com lucratividade de 20% a 25% – o equivalente a cerca de R$ 60 mil de lucro mensal por franqueado. (Crédito: Divulgação / OrthoDontic)

Interior do Brasil como estratégia, não coincidência

Enquanto o crescimento financeiro ganha força com o aporte da holding, a expansão geográfica da OrthoDontic segue um movimento que só recentemente se tornou tendência no franchising nacional: o avanço sobre cidades médias e pequenas. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), as redes de franquias já estão presentes em 69% dos municípios brasileiros, ante 61% em 2024, e o setor faturou R$ 72,7 bilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 10,1%.

A menor cidade em que a OrthoDontic está presente é Rodeio, no interior de Santa Catarina, com pouco mais de 12 mil habitantes. Ao todo, 24 municípios da rede têm menos de 50 mil moradores. Um dos exemplos mais expressivos é Caetité, na Bahia: a unidade aberta em 2023 tinha meta de 150 pacientes nos três primeiros meses, mas fechou 280 contratos em apenas 15 dias. Hoje, atende cerca de 2 mil pacientes por mês e emprega 19 pessoas.

“Quando você está presente em cidades tão diferentes quanto Rodeio, no interior de Santa Catarina, e São Paulo, percebe rapidamente que não existe uma receita única para tudo”, afirma Camila Stocco, gerente de Expansão e Implantação da OrthoDontic. Segundo ela, os processos clínicos precisam ser padronizados, mas a forma de captar pacientes muda bastante: nas capitais, o peso está nas campanhas digitais; no interior, em parcerias locais e no relacionamento direto com a comunidade.

Tecnologia para sustentar o crescimento

Para conciliar expansão acelerada com controle de qualidade, a OrthoDontic apostou em digitalização. Desde 2024, os dentistas da rede usam tablets com prontuário eletrônico completo, e os pacientes fazem check-in via aplicativo, que acompanha o tempo de espera e todo o histórico de atendimento. Ao final de cada consulta, o paciente recebe uma pesquisa de satisfação (NPS). A rede encerrou o mês passado com nota de 94 pontos.

“O que aprendemos ao longo dos anos é que os processos precisam ser os mesmos, mas a forma de se relacionar com cada comunidade muda bastante”, resume Camila Stocco.

Com a solidez financeira do novo ciclo e a malha de unidades espalhada por quatro regiões do país, a OrthoDontic testa até que ponto um modelo nascido em Londrina pode se sustentar num mercado tão desigual quanto o brasileiro — dos grandes centros às cidades de pouco mais de 12 mil habitantes.

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