A abstenção no Paraná caiu de 20,57% no primeiro turno das eleições de 2026 para 18,04% no segundo, uma redução de 2,53 pontos percentuais. O recuo foi quase três vezes maior que o registrado em 2022, quando a taxa passou de 19,48% para 18,63%, queda de 0,85 ponto percentual.

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O número de eleitores que deixaram de votar caiu em 217.911 entre os dois turnos de 2026. Com a queda da abstenção, o comparecimento subiu de 79,43% para 81,96% do eleitorado.

Em 2022, o número de eleitores ausentes caiu em 71.237 entre os turnos, enquanto em 2026 a redução foi de 217.911. A taxa de abstenção no segundo turno também caiu, de 18,63% em 2022 para 18,04% em 2026. Já no primeiro turno, o movimento foi inverso: a abstenção passou de 19,48% em 2022 para 20,57% neste ano.

1º turno de 20222º turno de 20221º turno de 20262º turno de 2026
Eleitores ausentes1.651.4431.580.2061.772.2001.554.289
Taxa de abstenção19,48%18,63%20,57%18,04%
Redução de ausentes entre os turnos—71.237—217.911
Variação da taxa de abstenção —−0,85 p.p.—−2,53 p.p.

Votos em branco e nulos também caíram

Além da redução da abstenção, houve queda no número de votos em branco e nulos entre os dois turnos. Os votos em branco passaram de 122.499 (1,79% dos votos) no primeiro turno para 82.572 (1,17%) no segundo, uma redução de 39.927 votos, ou 32,6%.

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Os votos nulos caíram de 133.715 (1,95%) para 118.819 (1,68%), diferença de 14.896 votos, equivalente a aproximadamente 11,1%. Em pontos percentuais, a proporção de votos em branco diminuiu 0,62 ponto, enquanto a de votos nulos recuou 0,27 ponto.

Para Luiz Gustavo De Andrade, especialista em direito eleitoral da Escola Paranaense de Direito e observador internacional de eleições pela Transparência Eleitoral, a queda dos votos em branco e nulos não deve ser interpretada, necessariamente, como uma redução da rejeição.

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“A redução dos votos brancos e nulos não significa necessariamente uma diminuição da rejeição aos candidatos. Nesta eleição, parece estar a indicar, sobretudo, uma decisão pragmática do eleitor, que passou a considerar mais importante influenciar o resultado da eleição do que manifestar sua insatisfação por meio de um voto inválido”, explica.

A redução da abstenção também não significa que os mesmos eleitores que faltaram no primeiro turno tenham comparecido no segundo. Segundo o especialista, a disputa acirrada e a mobilização das campanhas podem ter contribuído para aumentar a participação.

“A disputa particularmente acirrada, associada à mobilização das campanhas nas redes sociais e nos meios tradicionais de comunicação, contribuiu para estimular o comparecimento de eleitores que haviam se ausentado no primeiro turno. Outro fator relevante é a simplificação da escolha entre apenas dois candidatos, o que facilita a definição do voto”, aponta.

Abstenção menor que a média nacional

No segundo turno de 2026, a abstenção no Paraná foi de 18,04%, abaixo da média nacional de aproximadamente 19,22%. O índice estadual também ficou abaixo dos registrados em São Paulo (19,81%), Rio de Janeiro (21,62%) e Rio Grande do Sul (19,16%).

Segundo De Andrade, o comparecimento acima da média nacional pode estar associado a fatores como organização territorial, acessibilidade aos locais de votação, mobilização partidária e interesse político. Entre os aspectos logísticos, cita a oferta de transporte público gratuito. Ele também aponta fatores políticos que podem ter influenciado a participação e o resultado eleitoral no Paraná.

“O fato da eleição já ter sido decidida para governador parece ter contribuído para desmobilização da estrutura de campanha da direita, favorecendo o candidato a Presidente da esquerda. Some-se a isso o fato de que lideranças políticas paranaenses que antes não haviam se manifestado, terem acabado por externar sua preferência por Lula. É o caso de Greca, Flávio Arns, dentre outros”, indica.

Dados municipais mostram mudanças na votação

Uma análise da Sólon Data, que reúne dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estatísticas de pesquisas, explica a variação dos votos entre os turnos a partir de fatores como crescimento do eleitorado participante, transferência de votos e mudança de preferência entre candidatos. No entanto, os dados agregados não permitem comprovar individualmente para qual candidato migraram os votos, já que o voto é secreto.

Segundo o levantamento, em 938 municípios brasileiros, Flávio Bolsonaro recebeu menos votos no segundo turno do que no primeiro. Em outras 557 cidades, nas quais os candidatos de terceira via haviam somado apenas 3% dos votos no primeiro turno, Lula cresceu 3,6 pontos percentuais, enquanto Flávio recuou 0,5 ponto.

No Paraná, Flávio Bolsonaro terminou o segundo turno com vantagem de 1.724.940 votos sobre Lula. O candidato venceu em 329 municípios, equivalentes a 82,5% das cidades paranaenses, com 4,29 milhões de votos (62,58%). Lula venceu em 69 municípios, ou 17,3%, com 2,56 milhões de votos (37,42%). No comparativo entre turnos, nas demais cidades, 20 cidades inverteram a liderança entre os candidatos.

As maiores vantagens de Flávio foram registradas em Curitiba (+277 mil votos), Londrina (+120 mil), Maringá (+82 mil), Cascavel (+65 mil) e Ponta Grossa (+57 mil). Mesmo nessas cidades, a votação de Lula também cresceu entre os turnos. 

Em Curitiba, o petista passou de 332.099 votos no primeiro turno, ou 30,37%, para 425.092 no segundo, chegando a 37,71%. O aumento foi de 92.993 votos e 7,34 pontos percentuais. Em Londrina, Lula subiu de 72.432 votos (24,20%) para 96.869 (30,83%). Em Maringá, passou de 62.164 votos (26,78%) para 79.518 (32,98%).

Ao analisar os fatores que podem ter influenciado o comparecimento, De Andrade afirma que a mobilização política e as condições logísticas atuam em conjunto. A motivação para votar pode estar relacionada tanto à preferência por um candidato quanto ao desejo de evitar a vitória do adversário, enquanto a infraestrutura facilita a ida às urnas.

“A redução da abstenção também reflete a mobilização de eleitores motivados não apenas pela preferência por um candidato, mas pela intenção de impedir a vitória do adversário. Os fatores logísticos e políticos não são excludentes: a motivação levou o eleitor a querer votar, enquanto a infraestrutura facilitou que essa intenção se concretizasse”, conclui.