Eleições

Abstenção no 2º turno no Paraná cai o equivalente a um em cada oito eleitores ausentes no 1º turno

Fotografia em plano médio de uma seção de votação ou local de atendimento eleitoral, destacando um painel informativo com números de seções e funcionários organizados no espaço. Em primeiro plano e à esquerda, um grande painel vertical branco afixa vários papéis impressos com a indicação "SEÇÃO ELEITORAL" e numerações pretas correspondentes (como 715, 475, 702, 707, 471, entre outras) dispostas em grelha. Na extremidade direita do primeiro plano, um homem de perfil, vestindo uma camisola escura com debruns amarelos e calças jeans, observa o ambiente. Um crachá de identificação está preso à sua cintura. No plano intermediário, mesas de atendimento organizadas em fila acomodam três mulheres sentadas, que trabalham com computadores e documentos sob iluminação interna de escritório. Ao fundo, divisórias com painéis informativos exibem inscrições parciais, como a palavra "AGENDADO", compondo o cenário institucional do local de votação.
Número de votos nulos e brancos também caiu no segundo turno. Foto: TRE-PR.

A abstenção no Paraná caiu de 20,57% no primeiro turno das eleições de 2026 para 18,04% no segundo, uma redução de 2,53 pontos percentuais. O recuo foi quase três vezes maior que o registrado em 2022, quando a taxa passou de 19,48% para 18,63%, queda de 0,85 ponto percentual.

O número de eleitores que deixaram de votar caiu em 217.911 entre os dois turnos de 2026. Com a queda da abstenção, o comparecimento subiu de 79,43% para 81,96% do eleitorado.

Em 2022, o número de eleitores ausentes caiu em 71.237 entre os turnos, enquanto em 2026 a redução foi de 217.911. A taxa de abstenção no segundo turno também caiu, de 18,63% em 2022 para 18,04% em 2026. Já no primeiro turno, o movimento foi inverso: a abstenção passou de 19,48% em 2022 para 20,57% neste ano.

1º turno de 20222º turno de 20221º turno de 20262º turno de 2026
Eleitores ausentes1.651.4431.580.2061.772.2001.554.289
Taxa de abstenção19,48%18,63%20,57%18,04%
Redução de ausentes entre os turnos—71.237—217.911
Variação da taxa de abstenção —−0,85 p.p.—−2,53 p.p.

Votos em branco e nulos também caíram

Além da redução da abstenção, houve queda no número de votos em branco e nulos entre os dois turnos. Os votos em branco passaram de 122.499 (1,79% dos votos) no primeiro turno para 82.572 (1,17%) no segundo, uma redução de 39.927 votos, ou 32,6%.

Os votos nulos caíram de 133.715 (1,95%) para 118.819 (1,68%), diferença de 14.896 votos, equivalente a aproximadamente 11,1%. Em pontos percentuais, a proporção de votos em branco diminuiu 0,62 ponto, enquanto a de votos nulos recuou 0,27 ponto.

Para Luiz Gustavo De Andrade, especialista em direito eleitoral da Escola Paranaense de Direito e observador internacional de eleições pela Transparência Eleitoral, a queda dos votos em branco e nulos não deve ser interpretada, necessariamente, como uma redução da rejeição.

“A redução dos votos brancos e nulos não significa necessariamente uma diminuição da rejeição aos candidatos. Nesta eleição, parece estar a indicar, sobretudo, uma decisão pragmática do eleitor, que passou a considerar mais importante influenciar o resultado da eleição do que manifestar sua insatisfação por meio de um voto inválido”, explica.

A redução da abstenção também não significa que os mesmos eleitores que faltaram no primeiro turno tenham comparecido no segundo. Segundo o especialista, a disputa acirrada e a mobilização das campanhas podem ter contribuído para aumentar a participação.

“A disputa particularmente acirrada, associada à mobilização das campanhas nas redes sociais e nos meios tradicionais de comunicação, contribuiu para estimular o comparecimento de eleitores que haviam se ausentado no primeiro turno. Outro fator relevante é a simplificação da escolha entre apenas dois candidatos, o que facilita a definição do voto”, aponta.

Abstenção menor que a média nacional

No segundo turno de 2026, a abstenção no Paraná foi de 18,04%, abaixo da média nacional de aproximadamente 19,22%. O índice estadual também ficou abaixo dos registrados em São Paulo (19,81%), Rio de Janeiro (21,62%) e Rio Grande do Sul (19,16%).

Segundo De Andrade, o comparecimento acima da média nacional pode estar associado a fatores como organização territorial, acessibilidade aos locais de votação, mobilização partidária e interesse político. Entre os aspectos logísticos, cita a oferta de transporte público gratuito. Ele também aponta fatores políticos que podem ter influenciado a participação e o resultado eleitoral no Paraná.

“O fato da eleição já ter sido decidida para governador parece ter contribuído para desmobilização da estrutura de campanha da direita, favorecendo o candidato a Presidente da esquerda. Some-se a isso o fato de que lideranças políticas paranaenses que antes não haviam se manifestado, terem acabado por externar sua preferência por Lula. É o caso de Greca, Flávio Arns, dentre outros”, indica.

Dados municipais mostram mudanças na votação

Uma análise da Sólon Data, que reúne dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estatísticas de pesquisas, explica a variação dos votos entre os turnos a partir de fatores como crescimento do eleitorado participante, transferência de votos e mudança de preferência entre candidatos. No entanto, os dados agregados não permitem comprovar individualmente para qual candidato migraram os votos, já que o voto é secreto.

Segundo o levantamento, em 938 municípios brasileiros, Flávio Bolsonaro recebeu menos votos no segundo turno do que no primeiro. Em outras 557 cidades, nas quais os candidatos de terceira via haviam somado apenas 3% dos votos no primeiro turno, Lula cresceu 3,6 pontos percentuais, enquanto Flávio recuou 0,5 ponto.

No Paraná, Flávio Bolsonaro terminou o segundo turno com vantagem de 1.724.940 votos sobre Lula. O candidato venceu em 329 municípios, equivalentes a 82,5% das cidades paranaenses, com 4,29 milhões de votos (62,58%). Lula venceu em 69 municípios, ou 17,3%, com 2,56 milhões de votos (37,42%). No comparativo entre turnos, nas demais cidades, 20 cidades inverteram a liderança entre os candidatos.

As maiores vantagens de Flávio foram registradas em Curitiba (+277 mil votos), Londrina (+120 mil), Maringá (+82 mil), Cascavel (+65 mil) e Ponta Grossa (+57 mil). Mesmo nessas cidades, a votação de Lula também cresceu entre os turnos. 

Em Curitiba, o petista passou de 332.099 votos no primeiro turno, ou 30,37%, para 425.092 no segundo, chegando a 37,71%. O aumento foi de 92.993 votos e 7,34 pontos percentuais. Em Londrina, Lula subiu de 72.432 votos (24,20%) para 96.869 (30,83%). Em Maringá, passou de 62.164 votos (26,78%) para 79.518 (32,98%).

Ao analisar os fatores que podem ter influenciado o comparecimento, De Andrade afirma que a mobilização política e as condições logísticas atuam em conjunto. A motivação para votar pode estar relacionada tanto à preferência por um candidato quanto ao desejo de evitar a vitória do adversário, enquanto a infraestrutura facilita a ida às urnas.

“A redução da abstenção também reflete a mobilização de eleitores motivados não apenas pela preferência por um candidato, mas pela intenção de impedir a vitória do adversário. Os fatores logísticos e políticos não são excludentes: a motivação levou o eleitor a querer votar, enquanto a infraestrutura facilitou que essa intenção se concretizasse”, conclui.

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