A Tribuna do Paraná sempre teve um papel muito claro: o de fiscalizar e trazer à luz o que é de direito do cidadão, discutir as mudanças na sociedade e levar informação de qualidade, para que a população possa ter autonomia em suas decisões. Antes, fazia isso do seu jeito mais popular. Atualmente, mesmo diante de um novo posicionamento editorial, esse objetivo não mudou.
Em comemoração aos seus 70 anos, a equipe editorial da Tribuna trouxe algumas reportagens que marcaram época justamente por esse objetivo de fiscalizar, cobrar e trazer melhorias.
Linha Verde
Por mais de uma década, as obras da Linha Verde se arrastaram em Curitiba. Trechos inacabados, paralisações e atrasos faziam parte da rotina de quem dependia da via, enquanto o dinheiro público já investido não se traduzia na entrega esperada à população.
A situação se tornou um símbolo dos desafios da cidade em tirar grandes projetos do papel. E a Tribuna do Paraná acompanhou de perto essa história, cobrando respostas e dando visibilidade aos problemas que afetavam diretamente a vida dos curitibanos.
Em agosto de 2019, a situação de três lotes do trecho norte da Linha Verde ganhou novos contornos. A Tribuna denunciou atrasos nos trabalhos das empreiteiras e relatou que funcionários estavam parados por falta de pagamento de salários. Dias depois, o então prefeito Rafael Greca anunciou a rescisão unilateral do contrato com a empresa.
A decisão não encerrou todos os desafios da obra, que ainda exigiria novos esforços para avançar. Mas marcou um capítulo importante de uma história acompanhada pelo jornal durante anos: a cobrança para que uma intervenção pública de grande porte finalmente cumprisse seu papel.
Mais do que noticiar os problemas, a Tribuna manteve o assunto em pauta, mostrando que obras paradas não são apenas questões administrativas. São transtornos para quem circula pela cidade, prejuízos para o comércio, recursos públicos comprometidos e promessas que precisam sair do papel.
O dinheiro público precisa chegar à população
A fiscalização também passa por investigar como os recursos dos contribuintes são empregados e se o resultado corresponde ao que foi contratado. Em junho de 2016, a Tribuna noticiou uma fiscalização do Tribunal de Contas do Paraná que identificou R$ 29,7 milhões em despesas impugnadas relacionadas a obras de construção, reforma e ampliação de 14 escolas públicas. Segundo o órgão de controle, havia pagamentos referentes a serviços não executados.
O caso evidenciou uma questão que vai muito além de planilhas, medições e contratos: quando o dinheiro destinado à educação não é aplicado como deveria, o prejuízo potencial recai sobre toda a sociedade. São escolas que precisam oferecer condições adequadas a estudantes e profissionais, famílias que dependem da qualidade do ensino público e contribuintes que têm o direito de saber como os recursos são utilizados.
Sem o jornalismo, as investigações poderiam permanecer restritas a documentos técnicos e procedimentos administrativos.
Quadro Negro
Essa preocupação se conecta a outro episódio que marcou a política paranaense: a Operação Quadro Negro, investigação sobre suspeitas de desvios de recursos destinados à construção e à reforma de escolas estaduais.
Em 2016, a Tribuna publicou reportagens sobre depoimentos que apontavam possíveis pagamentos de propina de até R$ 13 milhões a autoridades. As informações, atribuídas às testemunhas ouvidas na investigação, evidenciaram a gravidade das suspeitas envolvendo recursos destinados à educação.
E a pressão jornalística sobre os órgãos públicos não foi em vão. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou a devolução do dinheiro. As obras foram retomadas e a última das 14 escolas estaduais que tiveram as obras afetadas pelo esquema foi oficialmente entregue em agosto de 2023.
Do asfalto às rachaduras: acompanhar até a solução
A função fiscalizadora da Tribuna não se restringe aos grandes contratos ou às investigações políticas. Ela também está presente na atenção aos problemas que os moradores encontram no caminho de casa, no transporte diário e nas estruturas que deveriam oferecer segurança.
Em abril de 2025, o jornal mostrou a preocupação com rachaduras na trincheira da Rua Marechal Otávio Saldanha Mazza, sob a Linha Verde, na região do Pinheirinho. Meses depois, em fevereiro de 2026, voltou ao assunto para noticiar o início dos trabalhos de recuperação estrutural, iniciados em janeiro, conforme informou a prefeitura.
A sequência de reportagens ilustra uma dimensão essencial do jornalismo de serviço público: a pauta não termina quando o problema é identificado. É preciso acompanhar as respostas, verificar se as providências anunciadas saíram do papel e informar o cidadão sobre o que mudou.
Ciclovia como atalho
Esse olhar atento também pode revelar soluções para situações aparentemente pequenas, mas que interferem na segurança e na mobilidade urbana. No Bacacheri, a Tribuna mostrou que motoristas estavam utilizando irregularmente uma ciclovia como atalho, seguindo a indicação do GPS.
A cobertura acompanhou as reclamações e as providências adotadas, até que a empresa de aplicativos de caronas informou ter atualizado seu aplicativo para retirar a rota irregular.
O episódio mostra como a observação jornalística, aliada à escuta dos moradores e à cobrança dos responsáveis, pode contribuir para resolver problemas que, para uns, aparentam pequenos. Para outros, é uma questão de segurança e risco à vida.
São histórias diferentes, mas que partem do mesmo princípio: enxergar o que precisa ser melhorado, dar voz a quem enfrenta o problema e buscar respostas de quem pode resolvê-lo.
Uma história de compromisso com o Paraná
Ao longo de sua trajetória, a Tribuna também acompanhou questionamentos sobre contratos públicos, como os relacionados aos radares de Curitiba; deu espaço a reclamações de moradores sobre obras de infraestrutura e intervenções urbanas; e noticiou discussões sobre transparência e gastos municipais, como os questionamentos levantados em torno de um evento de R$ 550 mil no Passeio Público, em 2026.
São exemplos de uma atuação que coloca no centro da cobertura o interesse coletivo, o acesso à informação e o direito da população de conhecer as decisões que afetam sua cidade e seu estado.
Esse compromisso ganha ainda mais importância em um novo momento do jornal. A proposta é ampliar o olhar fiscalizador, acompanhar de perto editais, licitações, contratos, grandes obras e projetos que envolvam o dinheiro do contribuinte. É questionar o que precisa ser questionado, dar visibilidade a problemas que merecem solução e seguir as histórias até onde for possível, sem abrir mão da precisão, da responsabilidade e da independência jornalística.
Mas servir ao cidadão também significa reconhecer e mostrar o que funciona. O Paraná reúne iniciativas que geram empregos, movimentam a economia, inovam nos negócios, fortalecem o agronegócio e contribuem para o desenvolvimento das cidades. São histórias de empreendedores, gestores, trabalhadores e comunidades que ajudam a construir um estado com capacidade de realização e potencial para inspirar outras regiões do país e do mundo.
O desafio está justamente em equilibrar essas duas frentes: cobrar o que precisa melhorar e valorizar aquilo que faz o Paraná avançar. Fiscalizar não é deixar de reconhecer os acertos, assim como celebrar conquistas não significa ignorar os problemas. E a Tribuna continua noticiando as histórias da nossa terra e da nossa gente.
