A entrega da Ponte de Guaratuba neste 1º de maio de 2026 entrou para a história do Litoral do Paraná. A inauguração reuniu moradores, turistas e autoridades no fim da tarde desta sexta-feira. O movimento no entorno da cabeceira ao lado de Guaratuba começou horas antes. Segundo dado oficial da Secretaria de Segurança Pública, 17 mil pessoas acompanharam a festa de inauguração. O clima foi de curiosidade, expectativa e, principalmente, alívio.

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Logo após a liberação simbólica, quem estava no local tentava colocar em palavras o que estava vendo. O professor aposentado Ananias Carneiro, de 65 anos, frequenta Guaratuba desde a adolescência. “É uma coisa surreal. Eu venho para cá há mais de 50 anos e ver isso pronto é difícil de acreditar. É muita emoção”, disse.

No dia anterior, ele e a esposa Regina fizeram a travessia de ferry mais uma vez. “Parecia uma despedida. A gente sabia que estava vivendo o último momento de um hábito que fez parte da vida inteira”, afirmou. Já diante da ponte, a leitura é outra. “Agora é o futuro”, resumiu.

O casal veio de Curitiba especialmente para a inauguração. “A gente quis estar aqui para ver isso acontecendo. É um dia que não volta”, disse.

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A curitibana e secretária Telma Stakowian, de 58 anos, também decidiu descer a serra para acompanhar a entrega da ponte. Ela contou que a espera foi longa e que o sentimento é de conquista coletiva. “Foi uma espera muito grande. A emoção é de uma vitória de todo o povo paranaense”, afirmou.

Ela lembrou das viagens anteriores, marcadas por congestionamento e demora na travessia. “Quem vinha para cá sabia que ia enfrentar fila, que não tinha horário certo. Agora isso muda completamente”, disse. Tirando fotos do momento, ela afirmou que a estrutura chama atenção. “Pelo que dá para ver, está muito bem feita. É difícil explicar a sensação de estar aqui hoje”, completou.

Telma Stakowian. Foto: Maria Carolina Crema / Tribuna do Paraná.

Ponte de Guaratuba: alívio com ressalva

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A obra altera a percepção sobre o acesso ao litoral paranaense. A previsibilidade no tempo de viagem passa a ser um fator relevante para turistas e também para quem depende da travessia no dia a dia, seja para trabalho, estudo ou serviços.

A moradora Francielli Risden, que há quase 14 anos utiliza o ferry diariamente para trabalhar em Matinhos e morar em Guaratuba, resume o impacto da mudança na rotina. “Era uma rotina exaustiva, com longos períodos de espera para atravessar”, contou.

Com a ponte, a expectativa é de ganho de tempo e mais previsibilidade. “Acredito que vou economizar de 40 minutos a uma hora por dia. O que muda é a tranquilidade de saber quanto tempo vou levar”, disse. Apesar da avaliação positiva, ela faz uma ressalva. “A primeira impressão é muito boa, mas ainda me preocupa a falta de estrutura viária na cidade para comportar o aumento do fluxo”, afirmou. Para ela, o principal significado da obra é direto: “a ponte representa agilidade e previsibilidade no deslocamento entre Guaratuba e Matinhos.”

Expectativa de novos investimentos

A mudança também mobiliza expectativas no setor público e entre quem atua na economia local. Durante o evento, o prefeito de Matinhos, Eduardo Dalmora, destacou que a nova ligação deve atrair investimentos e ampliar o fluxo de visitantes ao longo de todo o ano. “É um momento histórico para o Litoral. Isso vai gerar emprego, atrair investimentos e desenvolver a região”, afirmou.

Segundo ele, esse movimento já começou, principalmente na construção civil. “A tendência é que o turismo cresça ao longo de todo o ano, não só no verão”, disse. O município, segundo ele, vem investindo em eventos e no esporte, e a nova estrutura deve reforçar essa estratégia.

Também presente no evento, o deputado federal Geraldo Mendes, do União Brasil-PR, destacou o impacto da obra para o desenvolvimento regional. “O turismo é uma fonte de riqueza. É hotel cheio, comércio cheio e geração de renda para o litoral paranaense”, afirmou. Segundo ele, a ponte faz parte de um conjunto de investimentos em infraestrutura que inclui pavimentação, mobilidade urbana e novos projetos na região. “Isso reposiciona o nosso litoral e atrai investimentos”, disse.