Governo aconselha franceses a deixar Costa do Marfim

Preocupado que novos conflitos entre partidários do presidente golpista, Laurent Gbagbo, e do presidente eleito, Alassane Ouattara, iniciem uma guerra, o governo da França convocou ontem 14 mil compatriotas a deixarem a Costa do Marfim. Calcula-se que 20% deles tenham seguido a recomendação do Ministério das Relações Exteriores. Desde o início de dezembro, pelo menos 179 pessoas morreram em confrontos.

A recomendação foi feita pela primeira vez em 22 de dezembro. Ontem, o chamado foi refeito. “Ainda que os imigrantes franceses não tenham sido até aqui diretamente ameaçados, as autoridades francesas renovam o conselho de adiar os projetos de viagem para a Costa do Marfim”, afirmou a chancelaria. O governo francês também ordenou o fechamento das escolas francesas no país africano pelo menos até 17 de janeiro. Segundo números da chancelaria, metade dos 14 mil franceses residentes no país tem dupla cidadania.”A todos os franceses que puderem fazê-lo, em especial às famílias com filhos, (aconselhamos) que deixem provisoriamente a Costa do Marfim à espera da normalização da situação.”

A medida de precaução foi tomada porque o país vive em tensão política desde 28 de novembro, quando foi realizado o segundo turno das eleições presidenciais. Mesmo derrotado nas urnas, o presidente Gbagbo foi proclamado eleito pelo Conselho Constitucional, que ignorou o resultado da votação favorável ao líder da oposição, Alassane Ouattara – declarado eleito pela Comissão Eleitoral do país e reconhecido por grande parte da comunidade internacional. Desde então, conflitos armados opuseram os partidários dos dois líderes políticos. Ontem, Ouattara deu um ultimato a Gbagbo para que deixasse o poder “pacificamente e sem contrariedades” até a meia-noite.

Só na segunda quinzena de dezembro, 179 pessoas teriam sido mortas nos conflitos, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). A instituição afirmou que existe risco de crimes contra a humanidade no país. “Segundo fontes confiáveis, os desaparecimentos forçados ou involuntários, as detenções arbitrárias, as execuções extrajudiciárias, sumárias ou arbitrárias, e os atos de violência sexual podem ter ocorrido ou ainda podem ocorrer na Costa do Marfim”, afirmou em nota o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU. A organização registrou mais de 18 mil refugiados ao longo da fronteira com a Libéria, país em que mercenários já se oferecem para lutar por qualquer dos lados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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