O golpe de Estado que culminou na expulsão do presidente Manuel Zelaya, de pijamas, para a Costa Rica completa amanhã seu primeiro aniversário, mas o imbróglio político hondurenho ainda parece estar longe do fim. Asilado desde janeiro na República Dominicana, o antigo “hóspede” da embaixada brasileira exige seu retorno incondicional ao território – e à política – de Honduras para “continuar a luta por uma constituinte”.

O Brasil, ao lado de países como Argentina, Equador e Venezuela, levanta a bandeira do retorno de Zelaya no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA). Esse grupo impõe duas precondições gerais para a reintegração de Tegucigalpa ao sistema interamericano e para a normalização de relações bilaterais: o fim do exílio de Zelaya e garantias de que ele não será perseguido pela Justiça ao colocar os pés de volta no país.

Em Santo Domingo, o ex-presidente evita falar com jornalistas e se comunica por meio de notas. Mas seu principal assessor, Rasel Tomé, é inequívoco ao ser questionado sobre o que pretendem exatamente os zelaystas. “Nosso objetivo é tomar o poder pacificamente”, diz ao jornal O Estado de S. Paulo. Para isso, segundo Tomé, Zelaya deve voltar a Honduras e conduzir “a luta nas ruas” – de preferência como candidato a algum cargo público – por uma assembleia constituinte. “Queremos é mudar a Constituição.”

Foi exatamente essa ameaça que abriu o fosso da crise no ano passado, com Suprema Corte, Legislativo, Forças Armadas e Igreja unidas para atropelar a lei e derrubar o presidente. O fim da história é conhecido: a casa de Zelaya foi invadida por um comando do Exército a mando da cúpula militar, ele acabou embarcado à força num avião e forjou-se uma carta de renúncia.