Um dos desafios do governo da presidente eleita do Chile, Michelle Bachelet, será o de reduzir as desigualdades sociais no país. Para o economista Carlos Mussi, oficial da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) no Brasil, a área social perdeu prioridade face ao modelo econômico adotado pelos sucessivos governos desde o regime militar.

"O que se tem notado, nos últimos anos, é um esforço de efetivamente fazer com que o crescimento econômico chileno seja mais solidário, muito mais propenso a acomodar situações sociais específicas", disse Carlos, em entrevista à Agência Brasil .

A redução das desigualdades sociais foi uma das promessas de campanha de Bachelet. Nesse aspecto, Brasil e Chile têm características semelhantes. Quando se compara o índice de Gini – utilizado para medir a desigualdade social de um país ?, verifica-se que os dois países ainda têm muito o que avançar.

O coeficiente brasileiro é 0,59 e o chileno, 0,57, segundo o relatório de desenvolvimento da ONU de 2005. A referência para o país mais desigual é um e para o menos desigual é zero.

O embaixador do Brasil no Chile, Gelson Fonseca Júnior, destacou que, apesar de a desigualdade social chilena ainda ser forte, a pobreza tem diminuído nos últimos anos. Ele acredita que a questão social deve ser o foco do governo de Bachelet.

"Eu acho que esse tema da desigualdade foi um ponto forte da campanha. Ele será, como foi para o presidente Ricardo Lagos, uma preocupação central da nova presidente", disse o embaixador. Dados da Cepal mostram que, em 1990, o nível de indigência no país era de 12,9% da população. Em 2004, o percentual caiu para 4,7%. Nesse mesmo ano, o índice brasileiro era de 14,2%.

O Chile é considerado pelas Nações Unidas um país de desenvolvimento humano alto. Ele ocupa a 37ª posição na classificação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), sendo que o Brasil tem a 63ª posição, segundo dados de 2005. O ranking conta com 177 países. A expectativa de vida do chileno é de 76 anos e, do brasileiro, de 71 anos.

A população do Chile é de 16,2 milhões de habitantes, menos que os 20,5 milhões de moradores da região metropolitana de São Paulo. Um estudo da Cepal mostra que, em 2002, até 4,9% dos chilenos estavam insatisfeitos com os serviços de saúde do país. Os dados demonstram ainda que de 10% a 19,9% dos chilenos estavam insatisfeitos com o sistema de saneamento básico; no Brasil, esse índice supera os 40%.

Um outro estudo das Nações Unidas aponta que, em 1990, aproximadamente 5% dos chilenos viviam em habitações precárias. O percentual subiu para quase 10% em 2001. No mesmo ano, o indicador brasileiro era de cerca de 35%.

Em 2002 e 2003, o governo chileno investiu quase 15% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na área social. Nesse mesmo período, o Brasil aplicou cerca de 19%. De acordo com a Cepal, Cuba, com 29% do PIB, foi o país da América Latina que mais investiu na área social.

A Cepal é uma comissão econômica regional da Organização das Nações Unidas (ONU) criada para coordenar as políticas de desenvolvimento da região latino-americana.