O médico e ex-deputado estadual pelo Paraná, Felipe Lucas, de 81 anos, foi solto nesta quinta-feira (08/05), um dia após ter sido preso suspeito de estupro de vulnerável contra uma de suas pacientes em 2011. O caso aconteceu na cidade de Teixeira Soares, onde o suspeito atuava como ginecologista e obstetra. Ele também é investigado em outros três casos.
A revogação da prisão preventiva aconteceu a pedido da defesa, que alegou idade avançada do cliente. Em nota oficial, os advogados afirmam que a prisão era “injusta e desnecessária, tanto pelo fato do médico estar realizando a rotina de um parto, quanto porque os fatos investigados ocorreram há 15 anos”.
Crimes desse tipo prescrevem após 20 anos. Contudo, como o ginecologista tem mais de 70 anos, a Justiça aplicou uma redução da prescrição pela metade, passando de 20 para 10 anos. Com isso, o caso perdeu a punibilidade.
“O caso causa profunda preocupação jurídica e social, especialmente porque envolve a prisão de um profissional da medicina, idoso, em razão de acusação relacionada a atendimento obstétrico realizado há mais de uma década e meia”, diz a nota enviada pela defesa à Tribuna.
O caso de 2011, que motivou a prisão, aconteceu durante o procedimento de parto da vítima. Ela informou, segundo a Polícia, que foram 5 minutos do médico ginecologista passando a mão na parte externa da sua genitália, que teve outros filhos e nunca ter passado por isso, e que só cessou após a entrada de uma enfermeira na sala.
Felipe Lucas é médico desde 1975, com registro ativo no CRM-PR. Ele também é conhecido por sua atuação política, tendo sido vereador e prefeito de Irati nos anos 1990 e deputado estadual duas vezes. Em 2020, concorreu ao cargo de vice-prefeito, mas não se elegeu.
Entenda a investigação contra ex-deputado Felipe Lucas
Uma mulher de 24 anos, atendida pela rede pública de saúde, registrou a primeira denúncia em fevereiro. Porém, ela procurou a polícia sete dias após o exame ginecológico e afirmou que demorou a denunciar devido ao abalo emocional e à tentativa inicial de lidar com o trauma sozinha.
Além da postura do médico durante o exame, a vítima relatou que, enquanto estava despida na mesa de exames, o médico atendeu a uma ligação pessoal que durou cerca de cinco minutos, aumentando o constrangimento. Ela estava acompanhada do filho de cinco anos. Segundo a polícia, o médico orientou a criança a ficar de costas para não presenciar o procedimento.
Para os investigadores, a semelhança entre os relatos de vítimas sem ligação entre si indica um possível padrão de conduta mantido ao longo dos anos sob pretexto da profissão médica.



