O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em pronunciamento feito por volta das 22h40 deste domingo (25), que não reconhece o resultado do segundo turno e que vai pedir a anulação da eleição. A decisão do candidato do PL ocorre em razão da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou por duas horas o período de votação.
O senador classificou a medida como “inaceitável” e disse que não reconhece o resultado eleitoral nas circunstâncias em que o pleito foi realizado. “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, disse.
Flávio Bolsonaro salientou que a decisão foi tomada às 17h01, quando Zanin determinou a extensão do horário de votação. O senador criticou a atuação do ministro, que, segundo ele, não integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e acusou o magistrado de interferir nas atribuições da Justiça Eleitoral.
“Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo”, declarou.
Zanin atendeu a um pedido da coligação de Lula, que apontou falta de ônibus em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. Embora o pedido tratasse dessas cidades, a decisão valeu para todo o Brasil.
O senador lembrou que Zanin foi advogado de Lula e afirmou que o ministro deu “uma canetada” e mudou “a regra do jogo no meio do jogo”. O candidato afirmou também que “isso nunca tinha acontecido na história do Brasil”
Flávio argumentou que a prorrogação teria provocado uma quebra de isonomia entre eleitores de diferentes cidades e estados, uma vez que, segundo ele, nem todas as localidades tiveram as urnas reabertas. Para o senador, a medida comprometeu a igualdade de condições entre os participantes da eleição.
“Eu nunca vou saber se numa cidade onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, afirmou.
Ele disse ainda afirmou ainda que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre a partir do momento em que a decisão de prorrogar a votação foi tomada.
O pronunciamento de Flávio ocorreu na casa em que ele acompanhou a apuração dos votos, no Lago Sul, em Brasília. Estavam ao lado dele o candidato a vice na chapa, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN).
O deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) e a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, também estavam próximos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu matematicamente a reeleição às 21h08, com 97,69% das urnas apuradas, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquele momento, Lula tinha 62.641.973 votos, 51,74% dos válidos, contra 58.436.437 de Flávio, 48,26%.
No primeiro turno, o senador havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Confira a declaração de Flávio Bolsonaro na noite de deste domingo
“O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte da Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil.
Houve um total quebra de isonomia, entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados. Eu nunca vou saber se numa cidade onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas, nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. O que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram.
Nós vamos usar o nosso jurídico e vamos pedir anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal. É inexplicável isso ter acontecido. As coisas acontecem do nada a pedido de um ex-sócio do próprio Zanin e ele atende a um pedido por cima da Justiça Eleitoral.
Outro detalhe que poucos sabem aqui: os nossos fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE a partir do momento em que essa decisão foi tomada. Então, existe muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que aconteceu agora nessas eleições. Eu não vou desistir do meu Brasil, espero que você que está me assistindo também não desista.”
