Protestos de cerca de 60 agricultores da Lapa e de Contenda e membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina impediram, ontem, que seis propriedades rurais da região fossem arrematadas em leilão.

Os produtores têm dívidas com o Banco do Brasil (BB), contraídas em financiamentos feitos entre 1994 e 1998. Eles alegam que não têm mais como pagá-las devido à alta taxa de juros cobrada.

“É uma reforma agrária ao inverso. Enquanto se gasta uma quantidade enorme de dinheiro com a reforma, tiram a terra de agricultores e de suas famílias”, afirma o assessor jurídico da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), João Batista de Toledo.

Ele acredita que a União – que segundo ele está suspendendo alguns processos semelhantes contra agricultores – deveria fazer com que o BB proceda da mesma forma. “Os próprios bancos já dão esse crédito como fundo perdido.”

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (SRT) de Contenda, Miguel Treziak, muitos agricultores locais contraíram dívidas que hoje estariam, em média, em aproximadamente R$ 30 mil. Com os juros, os débitos chegam a ultrapassar R$ 200 mil.

Ele ressalta que os produtores não se negam a pagar, mas pretendem estabelecer um acordo com o banco para reduzir os juros cobrados. “O crédito rural cobra hoje no máximo 3% de juros, que são possíveis de se vencer. Mas de 12% a 19%, não tem como”, protesta. “Pode ter acordo nesses processos. Vamos continuar lutando para que não aconteça esse massacre dos leilões.”

De acordo com o agricultor Iolando Wojcik, os terrenos só não foram arrematados porque houve pressão. “Deixamos claro que quem arrematasse alguma propriedade iria ter que assumir o sustento da família que mora ali também. Senão as pessoas não teriam para onde ir”, diz.

Wojcik lembra, também, que os agricultores da região estão unidos para evitar que outras propriedades sejam arrematadas. O próximo leilão referente às dívidas do Banco do Brasil deve acontecer, segundo ele, em novembro.