A produção das montadoras paranaenses caiu 11,1% em 2002, recuando de 187.434 para 166.567 unidades. Considerando somente o segmento de autoveículos, a queda foi maior (-13%), de 177.050 para 153.935 unidades, enquanto o volume nacional diminuiu 2%, de 1.812.119 para 1.775.145 veículos. Todos os fabricantes de automóveis de passeio, comerciais leves e pesados instalados no Estado (Renault/Nissan, Volkswagen/Audi e Volvo) colocaram o pé no freio no último ano. O único setor que registrou aceleração foi o de máquinas agrícolas, representado pela Case New Holland (CNH). O balanço foi feito por O Estado baseado nas estatísticas da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

As fábricas da aliança Renault/Nissan em São José dos Pinhais (veículos de passeio e utilitários) produziram 51.784 veículos, 27,1% menos que as 71.108 unidades fabricadas em 2001. Com a retração da economia argentina, que era seu principal mercado externo, a exportação recuou de 5.561 para 2.600 carros. Além da Argentina, a Renault do Brasil exporta para Chile, Paraguai, Uruguai e Peru. A montadora francesa, que acumulou prejuízo de R$ 1 bilhão em 2002, prevê produzir 88 mil automóveis em 2003. A idéia é incrementar as vendas com a ampliação de mercados no exterior.

No ano passado, a Renault comercializou 64.309 unidades no varejo, mantendo a quinta posição no segmento de automóveis comerciais e leves, com participação de 4,52% do total do País – ante 4,45% em 2001. Em 2003, a empresa estima ampliar as vendas domésticas em 16%, chegando a 75 mil veículos. O primeiro passo para crescer será o lançamento do novo Clio, em fevereiro. A produção diária da Renault/Nissan, que tem 2,7 mil empregados, é de 305 veículos, sendo 270 automóveis de passeio (Clio e Scénic) e 35 na planta de veículos utilitários (furgão Master e picape Frontier). Ainda no primeiro semestre começa a ser produzido no Paraná mais um modelo da Nissan, o utilitário esportivo X-Terra. No ano passado, a marca japonesa fabricou 3.744 picapes Frontier no Estado.

Da planta da Volkswagen/Audi, também em São José dos Pinhais, saíram 96.599 carros (Golf, Audi A3 e Saveiro) no ano passado, o que representa um encolhimento de 1,7% comparado aos 98.333 automóveis produzidos em 2001. As exportações tiveram decréscimo de 1,2%, de 54,6 mil para 53,9 mil unidades. Mesmo assim, a fábrica do Paraná foi responsável por mais de um terço das exportações da Volkswagen do Brasil no ano passado (137 mil automóveis). É a única montadora do Brasil a fornecer em larga escala para o mercado norte-americano. No ano passado, 43,7 mil Golf foram enviados aos EUA e Canadá.

A fábrica da Volkswagen/Audi já está passando por ajustes para produção do novo carro da família Polo, cuja comercialização começa no ano que vem. Porém os veículos para testes e a produção em escala devem começar no final de 2003, com previsão de geração de mais empregos na unidade, que atualmente conta com 2,6 mil trabalhadores. A nova linha de montagem faz parte do investimento de R$ 3,5 bilhões aplicado pela Volkswagen do Brasil nas cinco fábricas do País, no período de 2000 a 2004. Com o novo modelo, a produção diária saltará de 400 para 550 veículos.

Comerciais pesados

Na planta da Volvo do Brasil, na Cidade Industrial de Curitiba, houve recuo de 5,5% na produção – de 5.854 para 5.552 unidades. A fabricação de caminhões pesados aumentou 4,7% (de 4.605 para 4.823). Já a de ônibus reduziu 41,6% (de 1.249 para 729). Apesar do decréscimo de 6,3% na quantidade total vendida, que passou de 6.004 para 5.624 unidades, a Volvo fechou 2002 com faturamento de R$ 1,24 bilhão, 24% maior que no ano anterior. No mercado de caminhões pesados, a empresa cresceu 2,6% e alcançou a liderança pela primeira vez desde que se instalou no Brasil, em 1977. Nas exportações, houve queda de 5,6% (de 563 para 531).

Já as vendas de ônibus no País tiveram queda de 30,2%, totalizando 359 unidades, contra 514 em 2001. As exportações recuaram 42%,de 718 para 416 unidades. Nos próximos três anos, a Volvo do Brasil pretende investir US$ 100 milhões na renovação e ampliação da linha de produtos. A previsão da empresa é dobrar a exportação de cabines de caminhões para a fábrica da Suécia em 2003, de 3 mil para 6 mil unidades.

Modernização agrícola

Já a CNH ampliou em 21,6% a produção, de 10.384 para 12.632 máquinas. Os 13.236 equipamentos vendidos em 2002 superaram em 28,1% o volume comercializado em 2001 (10.328). A venda de tratores avançou 28,5%, de 8.160 para 10.493 unidades. No segmento de colheitadeiras, houve incremento de 26,5%, de 2.168 para 2.743 unidades. As exportações de tratores cresceram 128,5%, saltando de 683 para 1.561, e as de colheitadeiras encolheram 39,5%, de 349 para 211.

No ano passado, o mercado paranaense de tratores cresceu 41% e o de colheitadeiras 37%, no ano passado. “Foi um dos estados que mais cresceu, em função da tecnologia usada pelos produtores para aumentar a produtividade e por causa do financiamento do Moderfrota”, analisa Mário Toigo, gerente comercial da New Holland para Paraná e Mato Grosso do Sul. No último ano, a New Holland ampliou em 26% as vendas de tratores e em 41% as de colheitadeiras no Paraná. A empresa não divulga valores, mas confirma que vai aumentar a capacidade de produção em 2003.