A massa falida da Multplan, Administradora Nacional de Consórcios S/C Ltda que teve a falência decretada pela Justiça em setembro de 2002, vai a leilão hoje. São ao todo 36 lotes, que incluem desde máquinas de xerox, aparelhos de telefone, mesas, cadeiras, além de automóveis, camioneta e caminhões. A avaliação inicial dos lotes é de R$ 69.520,00. O valor arrecadado será depositado no banco para rateio entre os credores. De acordo com o síndico da massa falida, Maurício Guimarães, as dívidas do consórcio chegam a quase R$ 22 milhões.

“O ativo da empresa – os bens que serão leiloados hoje e o valor de R$ 700 mil que está ?preso? no banco – talvez nem seja o suficiente para pagar as dívidas trabalhistas”, informou o síndico. Pela legislação de liquidações, os créditos trabalhistas, tributários e previdenciários são considerados “privilegiados”. Só depois de satisfeitas essas pendências, começa o pagamento dos demais credores.

A maior parte do montante – aproximadamente R$ 20 milhões – é devida aos 2.500 consorciados que pagaram, mas não receberam os bens. Segundo Guimarães, os bens dos sócios da Multplan – José Carlos Alves Pinto, Júlio Toshigi Hara, José Ademir Perego e José Roberto de Oliveira – ainda não foram apreendidos. “Os bens deles, no entanto, não devem chegar ao montante devido”, acredita Guimarães. No mês que vem, ele estará concluindo o relatório e encaminhando o documento ao Ministério Público. “Caberá ao MP requerer a medida penal necessária”, afirmou Guimarães.

O leilão dos bens apreendidos na empresa Multplan acontece às 14h na Avenida Nossa Senhora da Luz, 2045, Jardim Social, em Curitiba. O leilão será realizado pela leiloeira Marilda Ferreira e é aberto ao público. Os lotes são individuais, e os lances serão verbais. O lote mais caro é o 36: uma camioneta S 10 cabine dupla ano 2001, com lance inicial de R$ 30 mil.

Falência

O pedido de autofalência da Multplan foi julgado procedente pelo juiz Alexandre Fabiani, da 1.ª Vara de Fazenda Pública, Falências e Concordatas de Curitiba, em setembro de 2002. A Multplan já estava em fase de liquidação extrajudicial desde 28 de março de 2001. À época, o Banco Central identificou rombo de R$ 12,7 milhões. “Foram constatadas graves irregularidades na condução da atividade do consórcio, envolvendo fraude de escrita contábil, contemplação fraudulenta de consorciados “fantasmas” e “laranjas”, utilização de notas fiscais falsas/adulteradas para comprovar as contemplações fictícias, sonegação fiscal, estelionato, apropriação indébita de recursos de consorciados desistentes/excluídos e até apropriação indébita de indenizações de seguros de consorciados falecidos”, relatou Wlodimir Nisgoski, assistente do liquidante, à época. Até agora, nenhum dos consorciados recebeu um único centavo.