A baixa oferta de energia gerada em projetos existentes constatada no leilão A-1 de sexta-feira, 5, indica que o valor de venda da energia a ser negociada em leilões de ajuste de 2015 precisará subir. O primeiro leilão, previsto para as duas primeiras semanas de janeiro, terá por objetivo reduzir a exposição das distribuidoras de energia ao mercado de curto prazo. O leilão A-1 de hoje tinha a mesma finalidade, porém foram contratados apenas 622 MW médios, menos de um quarto da demanda estimada das distribuidoras, de 2.500 MW médios a 3.000 MW médios.

O valor médio da energia vendida hoje ficou em R$ 197,09/MWh, com contratos de fornecimento de três anos. O leilão A-1 realizado em dezembro de 2013 também negociou contratos com prazo de três anos, porém o preço ficou em R$ 149,99/MWh. Apesar da diferença de mais de 30% entre os dois valores, apenas duas empresas estatais negociaram energia no leilão de hoje, Petrobras e Furnas.

Como os contratos negociados no leilão tiveram energia negociada a R$ 201/MWh (produto quantidade) e R$ 191,99/MWh (produto disponibilidade), é natural esperar que geradores tendam a aceitar vender energia no Leilão de Ajuste somente por valores superiores a esse.

O presidente do conselho da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Luiz Eduardo Barata Ferreira, alerta que o nível de chuvas das próximas semanas pode trazer mudanças em relação ao patamar de preços. O primeiro leilão de ajuste de 2015, contudo, está previsto para a primeira quinzena de janeiro, o que reduz o potencial impacto causado pela incidência de chuvas no cenário de preços do setor. Atualmente, a energia tem sido negociada na casa de R$ 400/MWh para oferta em 2015, mais do que o dobro do valor médio negociado no leilão de hoje.

“Estamos iniciando agora a estação chuvosa, e as condições dos próximos meses podem se manter do jeito que estão ou podemos ter mudanças fortes”, alertou Barata em entrevista coletiva realizada após a conclusão do leilão A-1.

O superintendente de Estudos de Mercado da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Frederico Rodrigues, lembrou que a metodologia dos leilões de ajuste é diferente do certame realizado. Os preços são ascendentes, ao contrário do A-1, cujo valor ofertado pelas geradoras é descendente em relação ao preço-teto estabelecido pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O valor mínimo do leilão de ajuste pode ser divulgado até cinco dias antes da data de realização do certame.

Como os contratos do leilão de ajuste devem ser de curto prazo, inclusive três ou seis meses, os geradores devem decidir pelo ingresso ou não no certame tendo como base o preço da energia no curto prazo, as projeções para o preço de liquidação das diferenças (PLD) nesse intervalo e também o teto do PLD, de R$ 388,48/MWh. O PLD é o preço praticado em operações de liquidação no mercado de curto prazo.