O volume de investimento feito pelo governo federal, entre janeiro e julho deste ano, alcançou o maior patamar desde 2001. No período, foram desembolsados R$ 23,5 bilhões (exceto estatais), que representa um aumento real (descontada a inflação) de 62% em relação aos sete meses de 2009, segundo levantamento feito pela organização não-governamental (ONG) Contas Abertas, especializada no acompanhamento das finanças públicas.

Uma das explicações para o aumento são as eleições presidenciais. De acordo com a legislação, o governo não pode fazer nenhum tipo de empenho nos três meses que antecedem a disputa nas urnas. Por causa disso, há uma antecipação nos investimentos. “É normal o aumento do volume aplicado pelo governo nos meses anteriores às eleições”, afirma o secretário-geral do Contas Abertas, Gil Castello Branco.

Ele destaca, entretanto, que neste ano os investimentos cresceram acima dos períodos anteriores. “Houve um salto muito grande nos valores aplicados pelo governo. Mas a participação no PIB (Produto Interno Bruto) ainda continua muito pequena”, afirma o executivo. Apesar da retomada de vários projetos, a taxa de investimentos não deve chegar a 19% até o fim deste ano, enquanto a média mundial é de 24%. Na China, supera 40% e na Índia, 30%.

O Ministério dos Transportes, que inclui em sua estrutura o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), foi o órgão da Esplanada que mais investiu no período entre janeiro e julho. No total, foram gastos R$ 6,1 bilhões. Em seguida aparece o Ministério da Defesa, que desembolsou R$ 3,6 bilhões, e o Ministério da Educação, com R$ 3,1 bilhões em investimentos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.