O mês de maio é, tradicionalmente, o mais representativo para as vendas industriais paranaenses. Neste ano, porém, o desempenho foi abaixo do mês de março, com crescimento de 3,4% contra 22,8% de março.

No acumulado do ano, a retração chega a – 8,1%. É a terceira maior queda desde 1992 – quando o departamento Econômico da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) deu início à publicação mensal de indicadores conjunturais – atrás apenas de 2003 (-12,1%), e 1998 (-8,6%).

Material Eletrônico e de Comunicações (-26%), Veículos Automotores (-21,1%) e Móveis e Indústrias Diversas (-13,6) foram os setores com os piores desempenhos nos cinco primeiros meses de 2015, em comparação ao mesmo período de 2014.

De acordo com o coordenador do departamento Econômico da Fiep, Maurilio Schmitt, o desempenho da indústria do Paraná tem sido mantido por conta da boa safra – que tem promovido a recuperação das vendas de Alimentos e Bebidas, embora ainda negativas (-5,5%).

As exportações industriais também vêm aumentando a cada mês – 13,7% em maio. “Estas exportações estão mais concentradas nos setores de Celulose e Papel (31,6%) e Madeira (33,2%), que dependem de insumos nacionais e que, pela variação cambial, voltaram a assumir vantagem competitiva no mercado internacional”, explicou Schmitt.

Ainda de acordo com o economista, o câmbio tem incentivado indústrias de outros setores a exportarem. “Em maio contra abril, Vestuário aumentou as exportações em 282%; Borracha e Plástico 99,2%; Móveis e Indústrias Diversas 92,7% e Refino de Petróleo e Produção de Álcool 50,7%”, disse.

Os setores que tiveram os melhores desempenhos em vendas em relação ao mesmo período de 2014 foram Madeira (12,1%), Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (11,2%), Vestuário (2,8%) e Têxteis (0,7%). Todos os outros 14 itens – dos 18 pesquisados pela Fiep – tiveram decréscimo nas vendas, no período.

No comparativo com abril, maio apresentou quedas expressivas na compra de insumos em alguns setores. Máquinas e Equipamentos (- 14,7%) e Veículos Automotores (-17,9%) são os exemplos de maior impacto – este último, influenciado pela queda de demanda, greve e por acordos denominados de lay-off, que significam a suspensão de contrato de trabalho entre dois e cinco meses.

No total, a indústria comprou menos nestes cinco primeiros meses em comparação ao mesmo período de 2014 (-15%). O nível de emprego também teve redução (-4,5%) no período.