O resultado do Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) de dezembro, embora superior ao dado de novembro, deu sinais de que a origem da aceleração da inflação – a ausência de chuvas que provocou um choque agrícola – está chegando ao fim. Por outro lado, a alta refletiu repasses mais intensos para os derivados das matérias-primas brutas afetadas pela estiagem, explicou nesta segunda-feira, 15, o superintendente adjunto de Inflação da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

Neste mês, o IGP-10 avançou 0,98%, contra alta de 0,82% em novembro. “O índice subiu por impactos que foram se transmitindo, embora o problema inicial, a ausência de chuvas, já esteja um pouco menor. O efeito está cedendo na origem, mas repassando para a cadeia”, disse Quadros.

Em dezembro, houve alívio em suínos (7,97% para -4,96%), aves (1,46% para -2,94%) e leite in natura (-1,68% para -4,42%). A soja, um dos produtos mais importantes do atacado, ainda acelerou, mas em ritmo bem mais tímido: de 3,69% para 3,87%. Por outro lado, ganharam força entre as matérias-primas brutas milho (7,42% para 12,86%), bovinos (4,44% para 5,43%) e mandioca (-1,56% para 3,60%).

Entre os derivados, o impacto chegou com força. Só a carne bovina, comercializada pelos frigoríficos, ficou 4,46% mais cara. No mês passado, a alta era de 0,99%. “Se soma a isso o impacto dos combustíveis”, explicou Quadros. Desde 7 de novembro, os combustíveis estão mais caros nas refinarias: 3% no caso da gasolina e 5% no diesel.

No varejo, também houve repasse da alta dos alimentos no atacado. As carnes bovinas subiram 3,94%, enquanto o óleo de soja subiu 0,07% (após queda de 1,33%). Além disso, a época não favoreceu as hortaliças e legumes, que ficaram 8,33% mais caras. Só a batata-inglesa avançou 41,09%.

“É uma época de aumento de hortaliças, mas não é o pico. Janeiro costuma ser o mês em que todas estão positivas. Pode ser que haja suavização antes disso”, mencionou o superintendente. Segundo ele, o tomate é um exemplo desse possível alívio, pois ficou 2,03% mais barato neste mês.

“Além disso, houve efeito da gasolina, do reajuste da energia elétrica no Rio e das passagens aéreas, que subiram com a proximidade das férias”, lembrou Quadros. Em dezembro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,72%, dos quais 0,06 ponto porcentual veio da gasolina, que ficou 2,20% mais cara nas bombas. No mês passado, o IPC havia ficado em 0,43%.