O projeto piloto de energia
eólica funcionará no RN.

O Ministério das Minas e Energia (MME) confirmou na sexta-feira que o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa) será lançado na próxima terça-feira. Na ocasião, será assinado pelo presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, o decreto que definirá os valores econômicos para as fontes incluídas no programa, entre elas, PCH (pequenas centrais hidrelétricas), biomassa (uso de resíduos como cana, madeira e casca de arroz) e eólica (uso dos ventos). O principal ponto que emperrava a implantação do programa eram as condições de financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os projetos incluídos no Proinfa.

Com a confirmação da regulamentação do programa, os empreeendedores da área se preparam para desenvolver novos programas. Com relação à energia eólica (dos ventos), o País já desenvolve alguns projetos, inclusive no Paraná. Apesar de serem poucas, as iniciativas tendem a crescer com a chegada do Proinfa. A Usina de Energia Eólica Paraná, em Palmas, no Centro do Estado, entrou em operação em janeiro de 1999, com capacidade de produção de 2,5 MW.

A usina fornece a energia para a Companhia Paranaense de Energia (Copel) que a utiliza na própria rede do sistema. A energia elétrica produzida é capaz de iluminar uma cidade de cerca de 20 mil habitantes. A usina é composta por cinco aerogeradores de 40 metros, cada um com uma potência máxima de 500 KW.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Wolben Power, subsidiária de uma empresa alemã e sócia da Copel na administração da usina de Palmas, Francisco Aidar, a região é bastante propícia para o desenvolvimento desse tipo de energia. “Existe grande interesse no País de desenvolver esse tipo de energia. Ainda é uma novidade aqui, mas na Europa, principalmente na Alemanha, trabalham com energia eólica há bastante tempo”, diz.

“Com certeza, com a regulamentação do Proinfa, fica muito mais atrativo para os investidores e fabricantes do material que é utilizado nas usinas eólicas procurarem o País. No Brasil já existem fábricas que produzem o material para a construção dos aerogeradores e isso vai ser cada vez mais estimulado”, completa Francisco.

Promissora

O professor do curso de Engenharia Elétrica da UFPR, Niromar Alves de Rezende, acredita que a energia eólica é a fonte alternativa mais promissora. Ele explica que a principal função desse tipo de energia é atuar como um ponto de equilíbrio, balanceando com as fontes tradicionais: hidrelétricas e termoelétricas. “Com a utilização das fontes alternativas, pode-se reduzir a queima de materiais fósseis e também existe a possibilidade de diminuir o volume de água na produção de energia. Tendo outra opção, é possível criar um equilíbrio entre todas as fontes de energia, sem que nenhuma seja extinta, como começa a acontecer em alguns países”, diz.

Segundo o professor, os “apagões” que ocorreram em algumas capitais brasileiras, mostram que as fontes tradicionais de energia já não garantem a segurança de energia inesgotável. “Apesar do grande potencial hidráulico e termoelétrico do Brasil, as novas fontes surgem como um novo caminho, evitando a utilização da capacidade total das energias já existentes. E, com incentivo, essas novidades têm chance de desenvolver rapidamente”, completa.

Poluição sonora

A maior usina eólica em construção no mundo se encontra na cidade de Middelgnuden, na Dinamarca, com aerogeradores de 80 a 90 metros de diâmetro. O potencial dessa usina pode chegar até 2 mil MW.

Os locais onde se encontram as usinas de energia eólica são, na sua maioria, desabitados por causa da poluição sonora que as torres acabam gerando, conforme a velocidade do vento. “Geralmente elas se encontram no litoral, ou em morros e lugares descampados, sem habitação. Ainda é um assunto novo no Brasil, mas os custos de implantação desse tipo de fonte está barateando a cada ano, e deve ser utilizado com mais freqüência”, conta Niromar. Além da usina de Palmas, Prainha (Ceará), Fernando de Noronha (Pernambuco), Olinda (Pernambuco) e Morro do Camelinho (Minas Gerais) são as outras em operação no País. No mundo, atualmente, existem 55 mil aerogeradores em operação. A maioria se encontra na Europa.

De acordo com o professor da UFPR, novos estudos prevêem que em duas décadas a energia eólica poderá suprir 12% da necessidade mundial de energia. “Isso só comprova a eficiência e o crescimento dessa fonte que está sendo utilizada em todo o mundo. O Brasil tem que acompanhar essa leva e procurar se desenvolver nesse campo. Acredito que isso deva acontecer nos próximos anos”, acrescenta Niromar.

Energia eólica pouco explorada

Segundo dados da Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás), as fontes de energia eólica possuem um potencial de 140 GW. O Proinfa irá absorver 1,1 mil MW de eólica. É um número muito pequeno se comparado aos europeus. O País tem instalado apenas 0,03% desse tipo de energia, conforme publicou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Só na Espanha, são mais de 6 mil MW instalados.

Mesmo a passos lentos, os investimentos continuam. Uma nova usina eólica será inaugurada amanhã no Nordeste. O projeto piloto de geração de energia eólica funcionará na cidade de Macau, no Rio Grande do Norte. Com investimento de R$ 6,8 milhões, a nova usina terá capacidade de produzir 1,8 MW, utilizando três aerogeradores.

O gerente de energias renováveis da Petrobrás, Mozart Schimidt de Queiroz, afirma que dois novos projetos relacionados à energia eólica estão em andamento para serem implantados em outras partes do País. Ele ainda reforçou a importância da regulamentação do Proinfa. “Com o decreto, não só a energia eólica, mas todas as renováveis podem crescer e dar certo. É essencial dar incentivo às novas descobertas. Estamos fazendo isso, apostando que vai dar certo”, diz. “O objetivo é unir a produção eólica com a hidrelétrica e termelétrica, as mais tradicionais. Utilizando esse potencial, reduzimos o risco de esgotar algumas dessas fontes”, completa Mozart. (RCJ)

Diversificando a matriz elétrica

O Proinfa foi instituído pela Lei 10.438/02 e diversifica a matriz elétrica brasileira, buscando soluções com a utilização de fontes renováveis de energia. De acordo com o programa, a previsão de implantação é da capacidade de 3.300 MW, em instalações de produção e com prazo para início de funcionamento em 30 de dezembro de 2006. O Ministério de Minas e Energia (MME) vai editar e publicar os Guias de Habilitação e divulgará os valores correspondentes a cada tecnologia aos investidores interessados em desenvolver uma das fontes de energia renovável.

Primeiramente, serão contratadas pela Eletrobrás três fonte de energia: PCH, biomassa e eólica. Cada uma terá capacidade para produzir 1.100 MW. Toda a operação – desde a instalação da usina, preparação para o fornecimento de energia e início dos trabalhos – tem que estar pronta até o final de 2006. Após essa primeira fase, o MME definirá o montante de qual energia renovável será contratada. As garantias para implementação das usinas serão dadas pela Eletrobras, e o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entra com o financiamento de 70% do valor do projeto. Os outros 30% seriam de recursos próprios dos empreendedores.