A Polícia Federal pediu à Justiça de Mato Grosso a quebra do sigilo de mais 500 linhas telefônicas, fixas e móveis, identificadas na investigação sobre o dossiê Vedoin, contra políticos tucanos, pelo qual o PT iria pagar R$ 1, 75 milhão às vésperas do primeiro turno das eleições.

A PF considera fundamental a medida porque acredita que o caminho mais curto para chegar à origem do dinheiro é pela localização de contatos que ex-dirigentes petistas teriam feito com instituições financeiras, casas de câmbio e doleiros para amealhar o dinheiro.

O rastreamento do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é lento, burocrático e não tem objetividade, na avaliação de investigadores do caso.

A PF constatou que só nas agências do Bradesco em São Paulo foram registrados, nos 20 dias que antecederam a descoberta do golpe, 200 mil saques de até R$ 10 mil cada.

O novo pedido da PF está sobre a mesa do juiz Jefferson Schneider, da 2.ª Vara Federal de Cuiabá, que conduz o processo sobre a rede de sanguessugas, organização criminosa que desfalcou o Tesouro em R$ 110 milhões com a venda de ambulâncias superfaturadas.

Há duas semanas, a Justiça já havia autorizado o acesso a dados relativos a 70 linhas telefônicas. A PF chegou aos outros 500 números a partir da análise dos extratos com chamadas recebidas e realizadas por sete quadros do PT ligados à trama.

Estão sob investigação Expedito Veloso (ex-diretor de Análise de Risco do Banco do Brasil), Jorge Lorenzetti (churrasqueiro do presidente Lula e araponga do PT), Oswaldo Bargas (ex-diretor do Ministério do Trabalho), Freud Godoy (ex-guarda-costas presidencial), Valdebran Padilha (ex-arrecadador de campanhas do partido), Gedimar Passos (ex-agente da PF) e Hamilton Lacerda (ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante ao governo).