Em Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná, dois irmãos de sangue foram ordenados padres juntos, na mesma celebração. A situação inédita na região chamou a atenção da Diocese e tornou o momento ainda mais especial para Anderson Carlos Ramos, de 35 anos, e para Emerson Luiz Ramos, de 38 anos.

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Para o padre Emerson, a data foi triplamente especial. Em entrevista à Tribuna do Paraná, ele relatou ter recebido três graças no mesmo dia: a ordenação presbiteral, a oportunidade de vivenciar o momento ao lado do irmão e a celebração ocorrer justamente na data de seu aniversário. “A nossa história agora é bem mais que especial”, declarou.

Apesar da ordenação simultânea, os irmãos seguirão caminhos distintos na estrutura da Igreja. Emerson é padre secular (diocesano) e integrará diretamente o clero da Diocese de Guarapuava, que abrange 43 paróquias da região. Já Anderson optou pela vida religiosa consagrada e ingressou na Congregação da Paixão de Jesus Cristo (os passionistas), ordem missionária fundada por São Paulo da Cruz. Atualmente, Anderson atua na Paróquia Santa Terezinha, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, mas está sujeito a ser enviado em missão para outras regiões do país ou do exterior.

Vocação em idade adulta

Ambos decidiram ingressar no sacerdócio em uma idade superior à média dos seminaristas, que costuma ser entre 17 e 18 anos. O padre Emerson explicou que chegou a ser seminarista na adolescência por mais de uma década, mas deixou a formação. Trabalhou no regime CLT e, por volta dos 32 anos, sentiu novamente o chamado religioso. Ele recorda que pedia sinais a Deus para definir seu caminho e que cogitava o matrimônio, mas seu caminho o levou de volta ao altar. O irmão Anderson, após um período no mercado de trabalho e uma passagem pelo Exército, ingressou no seminário na casa dos 20 anos.

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Recém ordenado, o padre Emerson acredita que o chamado para a vida religiosa acontece aos poucos, e começa sempre por estímulos externos e superficiais. “O primeiro chamado é sempre assim, algo externo: a roupa do padre, estar no altar, achar bonito a missa. É muito superficial. Então durante todo o caminho você vai aprofundando, Deus vai dando os sinais”, revela.

Para Emerson, o caminho foi aos poucos se revelando com o serviço comunitário e o atendimento na comunidade. “Deus vai dando os sinais e você vai aprofundando tudo isso. A ordenação não é um ponto de chegada, mas uma continuação. A missão que continua muito mais séria que antes”.

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