O vereador Mauro Bobato (PP) declarou, nesta terça-feira (02/06), suspeição (possível imparcialidade) para atuar na Comissão Processante 1/2026, encarregada pelo processo de cassação do mandato do vereador Lórens Nogueira (PP), acusado de coordenar esquema de rachadinha. Os dois parlamentares são do mesmo partido.

continua após a publicidade

A manifestação de Bobato será analisada no Plenário da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) na próxima segunda-feira (08/06). Se a maioria dos vereadores concordar que ele pode julgar a situação com parcialidade, será realizado o sorteio de um novo integrante.

Mas caso o Plenário não reconheça a suspeição, o parlamentar será mantido no colegiado.

Impasse jurídico

A escolha dos membros da comissão para analisar o processo de Nogueira ocorreu na segunda-feira (1º/06), após os vereadores decidirem, por 35 votos a 1, pelo recebimento da denúncia contra Lórens Nogueira. Foram sorteados Serginho do Posto, Da Costa e Mauro Bobato.

continua após a publicidade

Bobato comunicou a suspeição à Mesa Diretora por meio de um ofício protocolado nesta terça. No documento, o parlamentar, eleito relator dos trabalhos, argumenta que a situação jurídica atual recomenda cautela para resguardar a validade dos atos do processo.

Bobato assumiu a cadeira na CMC como suplente do Progressistas, após a Justiça Eleitoral decretar a cassação de uma chapa partidária. No entanto, o caso ainda não transitou em julgado.

continua após a publicidade

A Presidência da Casa encaminhou o pedido à Procuradoria Jurídica (Projuris), que recomendou a votação em Plenário. Segundo o parecer, como a suspeição recai sobre o indivíduo e não sobre o colegiado, os vereadores Serginho do Posto (PSD), presidente do grupo, e Da Costa (Pode) continuam na comissão.

Entenda o caso

A denúncia contra Lórens Nogueira foi apresentada pela bancada do Partido Novo. A representação foi protocolada após a Operação Déjà-Vu, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR).

Após passar pela Mesa Diretora, o caso foi analisado pelo corregedor Sidnei Toaldo (Avante), que identificou indícios favoráveis ao processo, recomendando o envio direto ao Plenário.

Na segunda-feira, Lórens Nogueira se defendeu na CMC. O parlamentar negou qualquer crime e afirmou que o vídeo citado na representação será explicado às autoridades competentes. A defesa dele pediu a reanálise da denúncia ou o adiamento da votação.

Pelo rito do Decreto-Lei 201/1967, o processo precisa ser concluído em até 90 dias, contados a partir da notificação do acusado. Ao final do prazo, uma eventual cassação dependerá do voto favorável de dois terços dos membros da Câmara.