A Urbanização de Curitiba (Urbs) determinou nesta segunda-feira (26/1), em decisão irreversível, a transferência completa da operação antes realizada pela Auto Viação Mercês para as empresas Glória e Santo Antônio, integrantes do mesmo Consórcio Pontual. A medida, baseada na cláusula de solidariedade prevista no contrato de concessão vigente, visa garantir que o transporte coletivo continue funcionando com regularidade e segurança.

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A empresa está paralisada desde 14 de janeiro, quando seus funcionários entraram em greve por falta de pagamento.

A empresa Mercês foi notificada ao final da tarde e, já a partir desta terça-feira (27/1), as operações passam definitivamente para as outras empresas do consórcio, que já vinham assumindo temporariamente as linhas desde o início dos problemas.

A decisão da Urbs ocorre após uma série de descumprimentos contratuais identificados na Mercês, que incluem atrasos nos pagamentos de salários e benefícios trabalhistas, problemas graves na manutenção da frota e incapacidade de demonstrar condições mínimas para retomar suas atividades.

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Segundo a Urbs, as inspeções realizadas entre 16 e 22 de janeiro revelaram uma situação alarmante: dos 43 veículos vistoriados, apenas cinco estavam em condições adequadas para operar, número muito abaixo do necessário para atender as linhas. Além disso, a empresa não conseguiu comprovar condições financeiras para pagar salários, manter os veículos, abastecer a frota ou regularizar certidões fiscais e trabalhistas.

“A empresa infelizmente não apresentou um plano de recuperação que atestasse a sua capacidade de pagamento e manutenção de atividades. Permitir a continuidade da operação, diante do cenário de instabilidade operacional, financeira e trabalhista, representaria risco à segurança dos usuários, dos trabalhadores e da população em geral”, disse o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto.

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O presidente reforça que a medida não tem caráter punitivo, mas representa uma reorganização administrativa prevista em contrato, visando proteger o interesse público e evitar transtornos aos usuários do transporte coletivo.

Além da transferência definitiva das linhas, foi dado um prazo de 10 dias úteis para que o Consórcio Pontual, por meio de sua empresa líder (Glória), regularize as pendências contratuais e informe oficialmente quais empresas assumirão cada uma das linhas anteriormente operadas pela Mercês.

Linhas afetadas pela decisão

As linhas transferidas para a Santo Antônio e Glória são: X 46 – Especial Mercês (caso seja retomada a linha temporária que foi encerrada após obras na Manoel Ribas), 150 – C. Musica/V. Alegre, 912 – José Culpi, 913 – Butiatuvinha, 915 – O. Verde/V. Bádia, 967 – Júlio Graf; e 972 – Jardim Itália, 022 – Inter 2 (horário), 023 – Inter 2 (anti-horário), 040 – Interbairros IV, 464 – A. Munhoz/Jardim Botânico, 817 – Saturno/Veneza, 821 – Fernão Dias, 901 – Santa Felicidade, 902-Santa Felicidade/Praça Tiradentes, 911- Passaúna e 979 – Linha Turismo.

Para os aproximadamente 13 mil passageiros que utilizam essas 17 linhas em dias úteis, a Urbs garante que não haverá mudanças, já que tanto a Glória quanto a Santo Antônio já haviam assumido temporariamente as operações. O atendimento está sendo realizado normalmente, sem alterações nas tabelas de horários.

Como ficam os funcionários?

Quanto aos funcionários da Mercês, nos próximos dias será realizada uma reunião entre o sindicato dos trabalhadores (Sindimoc) e o patronal (Setransp) para discutir a possibilidade de absorção desses profissionais por outras empresas do sistema. Conforme levantamento, existem atualmente 198 vagas disponíveis para motoristas e cobradores em Curitiba.

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