O Sindicato dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte Coletivo de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) se manifestou após receber o pedido de negociação coletiva apresentado pelo Setransp (Sindicato Patronal das Empresas do Transporte Coletivo) nesta sexta-feira (28). As empresas de ônibus querem tratar do possível encerramento coletivo de contratos de trabalho com a nova concessão do transporte coletivo de Curitiba.
Em nota, o Sindimoc afirma que motoristas e cobradores “dedicam suas vidas a transportar diariamente milhares de passageiros com total segurança e tranquilidade”. A entidade lamenta que os responsáveis por todo o processo licitatório ignorem os trabalhadores que fazem parte do sistema.
“Este novo procedimento licitatório prevê altos investimentos em frota, vias e terminais, mas nenhum no trabalhador. Não há previsão de aprimoramento profissional, política de valorização ou de bem-estar social, deixando à margem quem realmente faz o serviço acontecer. A nova licitação deveria, obrigatoriamente, garantir a transição dos atuais trabalhadores com a manutenção dos contratos de trabalho e a manutenção integral dos direitos conquistados a duras penas”, lamenta o sindicato, em nota.
A categoria reafirma que todos os direitos e acordos vigentes devem ser rigorosamente cumpridos e que não pretendem recuar na luta “pelo respeito devido à classe trabalhadora”.
A nota, assinada pelo presidente do Sindimoc Ricardo Sales, afirma que o sindicato manterá um diálogo com o patronal para encontrar uma solução consensual, desde que baseada na consideração pelos direitos dos funcionários.
Instabilidade na categoria
Diante do encerramento iminente dos contratos, a Setransp cobra um cronograma conjunto com o Sindimoc para tratar de um possível desligamento de milhares de motoristas e cobradores, buscando conter os riscos sociais e jurídicos.
Com a possibilidade de uma eventual demissão em massa, o Sindimoc avalia que a situação tem gerado uma enorme instabilidade e angústia nos motoristas e cobradores. “Como podem os operadores trabalhar com a paz de espírito necessária sabendo que correm o risco de perder os seus empregos? Como sustentarão as suas famílias diante da ameaça do desemprego e da perda de direitos?”, cobra o sindicato.
Por fim, o Sindimoc afirmou que não vão hesitar em se mobilizar. “Exigimos o respeito que a classe trabalhadora merece por parte das empresas e dos órgãos públicos envolvidos”.
Procurada pela reportagem da Tribuna do Paraná, a Prefeitura de Curitiba disse que não vai se manifestar sobre o caso.
