As mais de 5 mil merendeiras que trabalham nas escolas estaduais do Paraná vivem uma nova rotina na pandemia de coronavírus (covid-19). Em vez de cozinhar para os estudantes, elas agora auxiliam na distribuição de alimentos para as famílias de 231 mil alunos beneficiários do Bolsa Família.

As aulas presenciais estão suspensas desde março e, por isso, a cada 15 dias os colégios entregam os kits de alimentação e também materiais impressos aos alunos que estão com dificuldade de acesso às aulas remotas. Antes da pandemia, as merendeiras chegavam a preparar e servir quase um milhão de refeições diárias.

No Colégio Estadual Dona Branca do Nascimento Miranda, em Curitiba, cerca de 300 refeições deixaram de ser feitas por dia. “Este ano está bem complicado. Uma escola sem aluno não é escola. Dá uma saudade de fazer comida para eles, de conversar com os estudantes”, disse Judite Kutianski, merendeira que atua há 15 anos na escola.

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Segundo o governo do estado, muitas dessas profissionais têm ajudado na organização dos produtos dos kits e da agricultura familiar, e também na sua higienização, além de acompanhar a estocagem dos produtos adquiridos para as escolas.

A ausência dos alunos também tem motivado algumas ações diferenciadas. Um exemplo é a distribuição de pão de mel para os alunos do Colégio Estadual Dr. Chafic Cury, em Rio Azul. As merendeiras auxiliaram no preparo dos doces para mais de 600 estudantes, que foram entregues junto com os kits de alimentação.

“Foi uma forma que encontramos para dizer que os nossos alunos são importantes. Mesmo em casa é para lembrar dos vínculos com a escola, uma forma de incentivo”, comentou a diretora Lucy da Luz. Para a produção do pão de mel foram utilizados ingredientes da alimentação escolar, itens adquiridos com recursos da Associação de Pais e Mestres (APMF) e de doação.

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Cuidados com a manipulação de alimentos

O Instituto Fundepar ofertou um novo formato para o curso Boas Práticas na Manipulação de Alimentos em 2020. O objetivo foi aprimorar os procedimentos adotados pelas escolas a respeito de requisitos higiênico-sanitários nas cozinhas, dispensas e refeitórios, promoção da alimentação escolar saudável, segura e que venha a suprir as necessidades nutricionais dos alunos e também intensificar os cuidados durante a pandemia.

A última oferta do curso ocorre até o fim de novembro com a participação de 829 inscritos. Cerca de 900 cursistas já concluíram a formação.