Moradores da Vila Angélica, em Bocaiúva do Sul, na região de Curitiba, ainda avaliam os estragos causados pela explosão de sábado (8). Toneladas de dinamite que estavam no depósito da empresa Explopar, que ficava ao lado da comunidade, foram pelos ares. Alguns dos moradores só descobriram que havia uma empresa de explosivos na região depois da destruição. Muitos estavam em casa, mas a maioria não se feriu ou sofreu apenas escoriações leves.

O fotojornalista Lineu Filho, da Tribuna, fez alguns retratos e conversou com essas pessoas, poucas horas após o impacto. “O local onde a explosão aconteceu parecia uma cena de desastre aéreo. O pátio que era plano transformou-se em cratera”, descreveu.

A paisagem da Vila Angélica, que fica cerca de um quilômetro do epicentro da explosão, mudou completamente. “Todos estavam tensos por não saber se haveria uma nova explosão. Esse foi o clima na vila no primeiro e no segundo dia”, disse Lineu. Em meio as casas destruídas, o cenário era idêntico ao de um terremoto. “Me lembrou bastante o que presenciei no Chile, em 2010, quando fui cobrir o abalo que devastou parte daquele país”, comentou.

Investigações

Segundo a Defesa Civil do Paraná, 160 casas foram danificadas e 24 ficaram completamente destruídas. Nove pessoas ficaram desabrigadas e outras 80 desalojadas.

O dono da Explopar, Milton Lino Silva, 61 anos, foi preso na tarde de sábado (8). Ele disse à polícia que estava em São José dos Pinhais no momento da explosão e que não sabe o que pode ter causado.

Mário Sérgio Bradock, delegado de Bocaiúva do Sul, disse que já havia um inquérito instaurado para investigar as irregularidades no armazenamento de dinamites na empresa. Bradock afirmou que o caminhão estava sendo manobrado quando começou a pegar fogo, causando a explosão.