Malha Sul

Quatro cidades do Paraná entram em ação na Justiça para retirar trens da área urbana

Fotografia de um cruzamento urbano com travessia férrea em dia ensolarado. Em primeiro plano, no lado direito, há uma estrutura de sinalização com semáforo verde, placa de "PARE", cruz de Santo André indicando "VIA CRUZAMENTO FÉRREA" e avisos de trânsito. Na rua, veem-se um pedestre caminhando pela faixa, um motociclista e uma ciclista atravessando o cruzamento. Ao fundo, há carros estacionados e circulando, placas de sinalização viária e imóveis comerciais sob um céu claro.
Trilhos passam por 21 bairros da capital. Foto: Arquivo/Átila Alberti/Tribuna do Paraná.

Curitiba, Almirante Tamandaré, Itaperuçu e Rio Branco do Sul ingressaram em uma ação na Justiça, nesta segunda-feira (24), para pedir a retirada dos trilhos da área urbana dos quatro municípios. A medida ocorre em reação à proposta inicial da nova concessão da Malha Sul, que não prevê a remoção da ferrovia.

Se o modelo for mantido, os trens poderão continuar circulando pelos trechos urbanos por mais 30 anos.

A Ação Civil Pública (ACP), proposta pelo Estado do Paraná por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), pede a desativação do Ramal Ferroviário Norte, que atravessa a capital e os outros três municípios. Somente em Curitiba, os trilhos passam por 21 bairros ao longo de mais de 40 quilômetros.

Segundo a ação, a ferrovia está inserida em uma área densamente povoada, o que aumenta o risco de acidentes. No documento, a PGE aponta que Curitiba é a cidade brasileira com o maior número de sinistros envolvendo trens. Foram 437 ocorrências entre 2004 e 2025, o equivalente a 3% de todos os registros ferroviários no país no período.

Além da questão dos acidentes, o Estado cita os impactos provocados pela circulação dos trens em áreas residenciais, como ruídos de alta intensidade e o uso frequente de apitos, inclusive durante a noite. Segundo a ação, a poluição sonora pode afetar a saúde e o bem-estar da população, especialmente pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos, crianças e pessoas acamadas.

A ação também questiona a viabilidade econômica da manutenção do trecho para a concessionária. A PGE argumenta que as cargas atualmente transportadas pela ferrovia poderiam ser direcionadas para o transporte rodoviário ou para outras alternativas de transbordo.

Novo edital ainda será publicado

A ação é contra a União, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Rumo Malha Sul S.A. No despacho inicial, o juiz federal Friedmann Anderson Wendpap determinou que o Ministério Público Federal (MPF), os municípios e os réus se manifestem sobre o processo.

Em nota à Tribuna do Paraná, a Prefeitura de Curitiba informou que a Procuradoria-Geral do Município acompanha o caso e que, após ser intimada, apresentará sua manifestação dentro do prazo estabelecido pela Justiça. A administração municipal também afirmou que discute a retirada dos trilhos com o MPF desde 2025.

Durante a consulta pública sobre a nova concessão, a Prefeitura voltou a se posicionar contra a permanência da ferrovia na área urbana. “O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) tem dialogado constantemente com a ANTT e o Ministério dos Transportes para viabilizar a construção de um ramal ferroviário que retire os trilhos do perímetro urbano”, informou a Prefeitura.

O Governo do Paraná também defende que a retirada seja incluída no novo contrato de concessão. “A medida integra os esforços da gestão estadual para que os trilhos sejam retirados o mais breve possível, antes da nova concessão ferroviária da Malha Sul, prevista para 2027”, afirmou o governo.

Já a Rumo, concessionária atual da ferrovia e citada no processo, informou que opera o contrato de concessão e as normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e não teve acesso ao processo. A concessionária mantém tratativas com o Ministério dos Transportes sobre alternativas para o futuro da Malha Sul.

“A empresa ainda não teve acesso ao conteúdo da ação judicial ajuizada pelo Estado do Paraná e se manifestará após a análise integral do processo. A concessionária mantém diálogo com os governos municipal, estadual e federal em busca de alternativas para reduzir conflitos urbanos e aprimorar a convivência entre a operação ferroviária e as comunidades”, diz a nota enviada à Tribuna.

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