Estrutura

Prédios antigos do Centro de Curitiba oferecem risco real de acidentes com pedestres

Prédio interditado na Travessa Nestor de Castro em 2024 por risco de desabamento.
Prédio interditado na Travessa Nestor de Castro em 2024 por risco de desabamento.

O bloqueio preventivo no acesso às lojas de um edifício comercial na Avenida Luiz Xavier, em pleno Calçadão da Rua XV, acendeu novamente o alerta para um perigo comum a quem circula pelo Centro de Curitiba: a queda de reboco e revestimento de prédios antigos. Embora a Coordenadoria de Segurança de Edificações e Imóveis (Cosedi) descarte o risco de desabamento da estrutura, o isolamento cirúrgico da calçada expõe a fragilidade da manutenção de imóveis na região e o risco real de acidentes com pedestres.

O caso da Luiz Xavier, classificado pela Cosedi como uma situação isolada na avenida neste momento, ilustra a diferença entre um colapso estrutural e o desprendimento de fachada. Um prédio com problemas no revestimento não vai ruir, mas um pedaço de reboco ou pastilha que se solta de pavimentos superiores ganha velocidade e impacto suficientes para causar ferimentos graves em quem passa logo abaixo.

Embora o cenário assuste quem passa pelos bloqueios, a Coordenadoria de Segurança de Edificações e Imóveis (Cosedi) reforça que o prédio não corre risco de desabamento e a interdição é estritamente localizada para proteger o pedestre. Segundo o órgão, a situação na Luiz Xavier é um caso isolado e pontual na região.

O perigo que vem do alto

O risco de fachada é muito diferente do risco estrutural. Um prédio com a fachada danificada não vai ruir, mas um pedaço de reboco que se solta do quarto ou quinto andar ganha uma força de impacto capaz de causar acidentes graves.

O histórico da região central mostra que o alerta é justificado. Uma situação muito semelhante em 2024 aconteceu em um edifício comercial na Rua XV de Novembro, próximo à tradicional Confeitaria das Famílias. Na época, o risco de queda de materiais exigiu isolamento da calçada, mas o caso foi solucionado pelos proprietários após as notificações legais, e o trecho foi totalmente liberado.

A engrenagem da fiscalização funciona assim: a responsabilidade pela manutenção do imóvel é do proprietário. Quando a Cosedi identifica a falta de conservação, o perímetro é isolado e o dono é notificado a apresentar um laudo técnico e executar obras emergenciais — como a instalação de telas ou bandejas de proteção.

Quando o abandono vira obra pública

O que acontece quando os proprietários não respondem ou o imóvel fica abandonado? O reflexo disso ficou nítido na Travessa Nestor de Castro, na lateral da Praça Tiradentes, um dos pontos de maior fluxo de pedestres e ônibus da cidade.

O casarão antigo na esquina com a Praça Tiradentes chegou a ter o trânsito de pedestres bloqueado e uma estação-tubo desativada temporariamente em janeiro de 2024. A medida aconteceu para garantir a segurança dos passageiros porque a edificação antiga estava com rachaduras na parede e corria o risco de desabar. Ali, o processo da Cosedi não está mais em andamento: ele foi arquivado depois que a Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP) precisou reforçar a fachada, para que não oferecesse riscos.

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