Anunciado em maio de 2025 como o projeto pioneiro de habitação popular dentro do programa municipal “De Volta ao Centro“, o prédio abandonado no cruzamento da Alameda Doutor Muricy com a Rua Cruz Machado não será mais destinado ao aluguel social.

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O Edifício Pires, que teve sua desapropriação feita pela Prefeitura de Curitiba para ações de assistência social, passou por uma sequência de mudanças de finalidade, travou na falta de verba de uma parceria universitária e hoje segue à espera de intervenções no coração da cidade.

Procurada pela Tribuna do Paraná para atualizar o andamento do retrofit prometido no ano passado, a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) confirmou que o imóvel foi retirado do seu portfólio e que o órgão não possui mais qualquer participação no projeto. A intenção inicial de transferir a edificação para a companhia coordenar a moradia social foi descartada.

Após a desistência do plano habitacional, a gestão municipal repassou o espaço para a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico, Inovação e Inteligência Artificial (SMDEI). A intenção era estruturar uma parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), mas a proposta acabou engavetada por conta da indisponibilidade orçamentária da instituição de ensino para arcar com as reformas do local.

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A Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR) também foi consultada sobre uma possível ocupação, mas informou que não há registro oficial ou tratativa em andamento para a instalação de suas equipes no endereço.

De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU), por meio do diretor do Departamento de Controle de Edificações, Fábio Gonçalez Francio, o município elabora novos estudos para tirar o projeto do papel. Entre as alternativas analisadas pelas equipes técnicas para viabilizar o retrofit está a modelagem de concessão de uso à iniciativa privada. O plano tenta alinhar a recuperação do imóvel às diretrizes da futura área de baixa emissão de carbono no perímetro central.

Pra destravar plano de requalificação

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Paralelamente às discussões sobre o Edifício Pires, a SMU busca destravar o plano de requalificação da região central por meio do pacote de incentivos do programa. O município disponibilizou até R$ 133 milhões em benefícios fiscais válidos até 2032, incluindo abatimento de até 60% no ISS para obras de restauro e retrofit, além de isenções e reduções de IPTU e ITBI.

Na linha de subvenção direta — que oferece até R$ 30 milhões para reembolsar parte das obras de prédios com comércio ativo no térreo —, a prefeitura recebeu 47 propostas, que somam R$ 268 milhões em intenções de investimento e passam por avaliação de impacto e pontuação.

Apesar da procura pelos incentivos tributários e financeiros, as regras construtivas do programa ainda não geraram projetos aprovados ou em trâmite no órgão de urbanismo. Reformas mais simples, que não alteram a estrutura, a área construída ou o uso do imóvel, podem ser executadas por meio de alvará simplificado, dispensando a análise tradicional de projeto.

A administração municipal mantém plantões técnicos para orientar proprietários e investidores interessados em aderir ao retrofit no Centro.