O cruzamento das ruas Professor Fernando Moreira e Saldanha Marinho, no Bigorrilho, em Curitiba, é um dos pontos mais conhecidos da cidade por episódios recorrentes de alagamento. O trecho acompanha o leito do Córrego do Bigorrilho, que costuma transbordar durante chuvas fortes, invadindo a via e chegando a impedir a circulação de veículos, inclusive de ônibus biarticulados e linhas alimentadoras que passam pela região.

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Em entrevista para a Tribuna do Paraná, o diretor do Departamento de Pontes e Drenagens da Secretaria Municipal de Obras Públicas, Paulo Vitor Lucca, relatou que o problema decorre da combinação entre a alta impermeabilização da região e a topografia do local.

“A região ali é altamente impermeabilizada. A água da chuva cai rapidamente pelos pavimentos, nas galerias, e cai no canal, que é o ponto mais baixo, e acaba acumulando justamente naquele ponto que a gente tem da Professor Fernando Moreira com a Saldanha Marinho”, explicou.

De acordo com Lucca, a solução em estudo prevê a instalação de reservatórios de detenção em pontos a montante da microbacia — e não apenas no trecho mais crítico. “A gente vai segurar essa água em pontos mais para cima, por exemplo na Júlia da Costa, na Praça 29 de Março, na própria Fernando Moreira, nos trechos mais a montante”, detalhou.

Curitiba lança licitação para estudar alagamentos na região

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Segundo o diretor do Departamento de Pontes e Drenagens, a licitação para os estudos da microbacia já está na fase de julgamento das propostas apresentadas pelas empresas interessadas, com prazo de cerca de 60 dias para a conclusão. A verba para as pesquisas tem origem em recurso do Governo Federal, e sua liberação depende da finalização desse processo.

Enquanto os projetos não avançam para a fase de obras, ele afirma que a prefeitura mantém a manutenção preventiva da região. “A gente precisa entender que é uma soma de fatores. Enquanto a gente não consegue avançar e chegar em uma obra de fato, a prefeitura tem sempre feito a limpeza do canal, das galerias, das caixas de captação do entorno e da região como um todo. Isso garante que, pelo menos, o sistema que existe funcione adequadamente no momento de chuva mais forte”, afirmou o diretor, ponderando que eventos de chuva excepcionalmente intensos continuam representando risco, mesmo com as intervenções futuras.

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“A gente vive um cenário de mudanças climáticas que a gente já está incorporando no nosso projeto, esse aumento da frequência e da intensidade das chuvas. Mas a gente não fica totalmente isento de que uma chuva muito forte apresente alguma falha nas estruturas de drenagem.”

O diretor informou que a expectativa é que os estudos completos fiquem prontos em cerca de 12 meses, mas a prefeitura pretende adiantar intervenções pontuais conforme os projetos de cada reservatório forem concluídos individualmente. “Conforme esse dimensionamento for ficando pronto, a gente já vai colocando uma linha de produção para licitar as obras e executá-las. Assim conseguimos ganhar tempo e amenizar esse problema”, disse.

Com esse cronograma, a estimativa da secretaria é iniciar as primeiras licitações de obras no primeiro semestre de 2027.

Córrego do Bigorrilho

O Córrego do Bigorrilho tem extensão de 1,97 quilômetro, com a maior parte do percurso canalizada. Nasce entre as ruas Padre Agostinho e Padre Anchieta, nas proximidades da Rua Professora Ephigênia do Rego, no bairro Mercês, e segue em direção ao Centro. Na Rua Professor Fernando Moreira, conhecida como Rua dos Chorões, o córrego volta a correr em canal aberto por um trecho antes de retornar à galeria subterrânea próximo à Rua Saldanha Marinho.