A Polícia Civil identificou o produto químico usado na carteira que explodiu na mão de uma mulher que catou o artefato do chão no dia 6 de dezembro na Rua Engenheiro Ostoja Roguski, em frente ao Jardim Botânico de Curitiba. Além disso, a Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (DEAM) também já tem um suspeito. É o motorista de um Golf branco que ficou dando voltas na região momentos antes da explosão que decepou parte de um dos dedos da mão de uma mulher de 53 anos.

De acordo com o laudo feito por peritos da Polícia Federal a pedido da DEAM, a substância usada na carteira explosiva é o triperóxido de triacetona (TATP) ou peróxido de acetona. Por ser produzido a partir de produtos de fácil acesso, como ácidos e acetona, e ter alto poder de explosão, o TATP é usado em atentados terroristas, como na explosão do metrô de Londres em 2005.

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O delegado Adriano Chohfi, que conduz o inquérito, aponta que quem montou o artefato tinha conhecimento de técnicas de explosivos. “Quem fez isso não é leigo no assunto. Usou potência com características de fabricação caseira com composto legalizados”, conclui o delegado.

O principal alvo da investigação é o motorista de um veículo Golf branco que ficou rodando pela região momentos antes da explosão. No entanto, as imagens da câmera de segurança que registraram o carro não são de boa qualidade, dificultando a identificação da placa do veículo.

Chohfi está em contato diário com vários órgãos de segurança para saber qual o caminho feito pelo Golf branco após a explosão. “Estamos utilizando todos recursos para chegar a esta pessoa e verificar por que ela estava rodando pela região. Poderia ter ocorrido algo bem mais grave se uma criança tivesse pego na carteira. Estamos dando prioridade nesta investigação”, enfatiza o delegado.

Havia um alvo?

Um dos mistérios do caso da carteira explosiva é se o responsável teria a intenção de ferir especificamente a senhora de 53 anos ou se o alvo era qualquer outra pessoa que pegasse a carteira. O Jardim Botânico é um dos principais pontos turísticos de Curitiba, com alta circulação de pessoas, principalmente nesta época do ano de férias.

“Ainda é prematuro falar, mas provavelmente ele colocou o artefato para atingir qualquer pessoa ou até alguém determinado. A senhora teve a infelicidade de passar por ali. Em depoimento, a vítima relatou que não teria desafetos”, ressalta Chohfi.

Na próxima semana, um especialista em explosivos vai auxiliar na investigação. A ideia é saber se a carteira explodiu ao ter contato com a pele da vítima ou se foi usado um detonador.

Parte do dedo decepado

A vítima da carteira explosiva, Ana Maria Pereira da Silva, 53 aos, teve parte de um dos dedos da mão decepada. Ela encontrou o artefato no chão e, ao pegá-lo, houve a explosão. Ela foi socorrida pela ambulância do Siate e teve de passar por cirurgia par reconstituir o dedo no Hospital Cajuru.

A ocorrência em frente ao Jardim Botânico mobilizou o Esquadrão Antibombas da Polícia Militar. “Enquanto socorria a mulher, era difícil acreditar que aquilo era real”, descreveu no dia seguinte à Tribuna Robson Lisboa, de 40 anos, que trabalha na loja de lembranças em frente ao parque e que prestou o primeiro socorro à mulher.

Robson estava fechando o estabelecimento quando ouviu a explosão. “Quando ia fechar o portão principal, ouvimos o barulho. E não foi uma explosão fraca não. De imediato, pensei que era um tiro, porque foi um barulho bem alto. Quando entrei para a loja, apareceu a mulher sem um pedaço de um dos dedos”, relata.