Depois do morango do amor e do morango cravejado, a nova “trend” gastronômica da Grande Curitiba cabe dentro de um balde. A pipoca recheada no balde começou a conquistar público nas redes sociais e já provocou filas de dar inveja a lançamento de restaurante: em um evento em Campo Largo, clientes chegaram a esperar duas horas e meia para provar a delícia. E teve gente que ficou na fila e não conseguiu levar para casa porque o produto acabou.
Uma das marcas que surfou nessa onda é a Pipocarete, criada pela curitibana Maria Eduarda Morete Bara, de 19 anos. Ela começou a vender as pipocas em 1º de junho, depois de deixar o emprego com carteira assinada, numa loja de cerâmicas em Campo Largo, e decidir apostar no antigo desejo de empreender.
O nome da empresa vem da junção da palavra pipoca com o seu sobrenome, Morete: Pipocarete. “Eu sempre tive esse tino de empreender. Eu queria muito fazer alguma coisa, mas não sabia ainda o quê”, conta.
A ideia ganhou forma quando Maria Eduarda descobriu a pipoca recheada, tendência que já havia viralizado em outras regiões do país, especialmente em Goiás. Ela decidiu apostar no produto em Curitiba e diz ter sido uma das primeiras a trabalhar com o formato na cidade.
Pipoca no balde que dá para comer de colher
O produto é diferente da pipoca convencional. O milho utilizado é próprio para produzir grãos bem redondos, que passam por um processo de caramelização com controle da quantidade de açúcar, pra não ficar muito doce. Depois, recebem o recheio escolhido pelo cliente.
O resultado é uma pipoca crocante, caramelizada e recheada, servida dentro de um balde que pode ser atacado de colher. São três tamanhos: 500 ml, por R$ 25,99; 1 litro, por R$ 39,99; e 1,5 litro, por R$ 54,99. Os maiores levam mais camadas de recheio e o cliente pode combinar sabores.
Entre os recheios que vão junto com a pipoca caramelizada estão Bis ao leite, Raffaello, Nutella, Ninho e Kinder Bueno. A Nutella utilizada pela marca, segundo Maria Eduarda, é a original, e por isso faz tanto sucesso.
Outro detalhe que chama atenção é a durabilidade. Segundo a empreendedora, a pipoca pode permanecer crocante por até sete dias, dentro ou fora da geladeira.
De três baldes por dia a mais de 500 em um evento
Quando começou, Maria Eduarda e o marido imaginavam que vender três baldes por dia já seria um bom resultado. A realidade foi bem diferente. Os pedidos chegaram rapidamente a 20, 30, 40 e até 50 baldes por dia. Nos eventos, a produção chegou a superar 500 baldes em um único dia.
O primeiro grande teste aconteceu na Festa do Agricultor de Campo Largo. O movimento surpreendeu tanto que Maria precisou produzir mais pipocas e até os próprios recheios de forma artesanal durante a madrugada – já que não conseguiria comprar os originais de sábado para domingo – para conseguir atender a demanda do segundo dia. No domingo, a pipoca no balde acabou às 15h, horas antes do encerramento da festa.
Outro momento que marcou a empreendedora aconteceu em uma quinta-feira de evento no centro de Campo Largo. A programação começaria às 17h, mas às 15h já havia gente chegando. A fila cresceu e chegou a duas horas e meia. Em determinado momento, a produção acabou.
“Teve gente que ficou na fila e não conseguiu. Algumas pessoas que estavam ali e não conseguiram, a gente deu de brinde posteriormente, em outra data e evento”, conta. Até uma garoa não foi suficiente para espantar o público.
Naquele dia, a Pipocarete havia lançado uma promoção nas redes sociais: quem aparecesse vestido de rosa pagaria R$ 10 pelo baldinho. A cor, aliás, virou parte da identidade da marca por causa da paixão de Maria Eduarda pelo rosa.
A cozinha ficou pequena
A alta procura, porém, também obrigou a pequena empresa a pisar no freio. A produção começou na cozinha de casa, mas rapidamente deixou de comportar os pedidos. Maria alugou um espaço no Pinheirinho, em Curitiba, onde atualmente concentra a fabricação para delivery e eventos. O local ainda está em reforma e não funciona como loja aberta ao público.
O delivery pelo iFood também precisou ser interrompido por um período. Com apenas Maria e o marido na operação, era difícil conciliar os pedidos de Curitiba com os eventos em Campo Largo.
Agora, com uma estrutura maior, o serviço está sendo retomado. A marca atende principalmente à noite, por iFood e WhatsApp, e vende cerca de 20 baldes por noite.
Por enquanto, os eventos também deram uma pausa. Depois de três meses de produção intensa, o casal decidiu parar temporariamente para reorganizar a operação e recuperar o fôlego.
A próxima aposta já está sendo planejada: um carrinho para levar a Pipocarete a festas de aniversário, casamentos e outros eventos. E há outro objetivo no radar: encontrar um endereço fixo em Campo Largo. Afinal, foi justamente por lá que a pequena marca literalmente “estourou” e rendeu filas de duas horas e meia.
