Pelo menos 11 pessoas foram presas e uma morreu em confronto durante operação deflagrada nesta sexta-feira (24/04) pela Polícia Civil e da Polícia Militar do Paraná. A Operação Rajada combate uma organização criminosa suspeita de homicídios, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A base de atuação do grupo é o bairro Parolin, região central de Curitiba.
Os mandados também são cumpridos em Itapema, Santa Catarina, e Maceió, Alagoas, com apoio das polícias civis e militares desses estados. No Nordeste foram presos três dos líderes do grupo, inclusive o de alcunha Rajada, que dá nome à operação.
A operação no Parolin prevê o cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva, 15 de busca e apreensão domiciliar e 13 ordens de bloqueio e sequestro de ativos financeiros. A ofensiva mobiliza 150 policiais, com apoio de helicópteros e cães de faro para reforçar a capacidade operacional e garantir a segurança no cumprimento das ordens judiciais.
Investigação aponta domínio territorial após conflito armado
A ação resulta de investigação iniciada em junho de 2025. O grupo identificado consolidou o domínio territorial no Parolin após conflito armado que culminou na neutralização de organização rival. Com o controle da região, passou a converter residências em depósitos estratégicos de armas e drogas, transformando-as também em refúgios operacionais.
A investigação apurou que a estrutura criminosa era chefiada à distância por um indivíduo e seu braço direito. Ambos alegaram ter recebido supostas ameaças de morte e conseguiram transferir o cumprimento de penas para Maceió. “O afastamento geográfico serviu como um escudo para que coordenassem o narcotráfico remotamente e em liberdade, delegando o gerenciamento tático diário no bairro Parolin a outro integrante da organização”, destaca o delegado da PCPR Ricardo Casanova.
Integração entre forças de segurança de outros estados
De acordo com o coronel Alexandre Lopes Dias, comandante de Missões Especiais da PMPR, o enfrentamento à criminalidade passa diretamente pela integração das forças. “Essa cooperação, com troca de informações e planejamento conjunto, é essencial para a eficácia das diligências e a redução dos indicadores criminais no estado”, disse.
A investigação constatou que os lucros do narcotráfico eram escoados para o Nordeste a fim de sustentar padrão de vida luxuoso das lideranças, que não possuíam nenhuma fonte de renda lícita.
Para dissimular a origem ilícita dos milhões arrecadados, a organização operava esquema de lavagem de dinheiro que incluía familiares, esposas e empresas de fachada utilizadas para ocultar patrimônio. “O capital era inserido no sistema financeiro por meio de depósitos em espécie fracionados feitos em caixas eletrônicos e lotéricas. Após a compensação financeira, os valores eram transferidos a inúmeras contas de passagem, que recebiam aportes milionários e eram esvaziadas rapidamente para dificultar o rastreamento”, complementa o delegado.
Casa cofre com quase meio milhão de reais
A atuação da organização criminosa foi comprovada em ações policiais recentes. Em desdobramentos operacionais, a polícia estourou uma “casa cofre” no bairro Sítio Cercado, na capital paranaense, apreendendo 493.879 reais em espécie, máquinas de contagem de cédulas e porções de crack, cocaína e maconha.
Além do tráfico de drogas, a investigação apurou que o grupo está relacionado a homicídios registrados em Curitiba e cidades vizinhas. Em março de 2026, o líder de organização criminosa rival e seu filho foram executados a tiros em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana. As investigações verificaram que o duplo homicídio teria como autoria membros do grupo.
A ação policial desencadeada mira não apenas a repressão nas ruas, mas o estrangulamento financeiro do crime organizado.
